TEMA DE CAPA
OUTUBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
À esquerda: Diogo Costa devolveu a Estela Rito o Dragão de Ouro da equipa, dedicando-o a Jorge Costa, num gesto que disse muito mais do que as palavras. Em cima: Mariana Monteiro e Pedro Teixeira conduziram uma noite em que a emoção também fez parte do guião. lugar de quem faltava. Jorge Costa continuava a pertencer àquele grupo e à conquista que o tinha levado ao palco. A abertura já tinha recuperado as imagens fortes de 2025 / 26, numa passagem da competição para a celebração. A orquestra, os bailarinos e a canção que se tornou uma espécie de hino em 1985 deram corpo a esse arranque, cruzando a época acabada de viver com uma referência musical de outras gerações. A escolha fazia sentido numa gala que, ao longo da noite, aproximaria os novos campeões de figuras que os mais jovens conheceram pelas histórias dos pais e dos avós. Conduzida pela atriz Mariana Monteiro e pelo ator e apresentador Pedro Teixeira, a cerimónia distribuiu essa narrativa pelos vários espaços do palco e pelos ecrãs da Super Bock Arena. Os vídeos dedicados aos premiados alternaram com as conquistas das modalidades,
os adeptos e os golos da época. O desenho visual prolongava-se pelos ecrãs circulares, pelas laterais e pelo arco da sala, envolvendo o palco na identidade da gala. A imagem tinha uma função concreta: apresentar percursos, recuperar momentos e mostrar o contexto de cada distinção. Um nome anunciado ganha outro peso quando se percebe o que o trouxe até ali. A música acrescentou diferentes andamentos. Nik Kershaw levou à gala“ The Riddle” e“ Wouldn’ t It Be Good”, regressando mais tarde com“ I Won’ t Let the Sun Go Down on Me”. Os ÁTOA trouxeram outra geração da pop e outra energia à celebração. Entre esses registos, FF interpretou“ A Gente Vai Continuar”, de Jorge Palma, falecido poucas semanas antes, com o título da canção a ganhar uma força particular naquela noite. Na voz de outro intérprete, as palavras de Palma voltavam a reunir uma sala. Era também uma forma de agradecer a quem deixou tantas canções para nos acompanhar. Essa alternância entre festa e emoção é um dos aspetos mais interessantes dos Dragões de Ouro. Uma sucessão de prémios precisa de ritmo, mas também de espaço para que cada história seja ouvida, e o alinhamento procurou esse equilíbrio, intercalando atuações e vídeos com as intervenções dos distinguidos. Do talento que começa a afirmar-se à dedicação de décadas, do reconhecimento desportivo à gratidão por um trabalho muitas vezes pouco exposto, a variedade
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