Dragões #478 Set 2026 | Page 61

FUTSAL
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES

Antes de mais, que sensações lhe desperta ser o homem escolhido para comandar a primeira equipa de futsal sénior da história do FC Porto? Essa é a pergunta que me fizeram mais vezes nos últimos tempos e, se calhar, é a mais difícil de responder. Para alguém que é portista e que sempre teve o sonho de aliar a modalidade que gostava ao clube pelo qual é apaixonado … Os dias em que isto começou a tornar-se realidade foram muito especiais para mim. Foi, de facto, a sensação de um sonho tornado realidade. De qualquer forma, tão depressa foi um sonho que quando se torna realidade já ficou para trás, pois vem aliado de outros sonhos que passamos a ter. Os meus sonhos são condizentes com os do clube, certamente.

Depois de coordenar a formação e de uma excelente época nos sub-19, acreditava que podia ser o escolhido ou o convite foi uma surpresa? Sendo muito sincero, nunca pensei muito nisso. Quando entrei para o FC Porto foi com a intenção de ajudar o clube a criar a modalidade do futsal e a criarmos aqui um projeto estruturado, assente na formação. Daí a Direção ter lançado o desafio da formação e não da equipa sénior. Foram tempos de tanto trabalho que, na verdade, nunca tive muito tempo para parar e pensar em mim. Pode parecer um cliché, mas aquilo que sentia era que os meus interesses se misturavam um pouco com os do clube. Embora este seja um sonho para mim desde há muito tempo, não estava ansioso ou stressado para que a oportunidade aparecesse. O que eu queria mesmo era que o FC Porto estivesse bem servido, que o projeto aparecesse, crescesse e se consolidasse. Obviamente que, a partir do momento em que isto surge como uma opção real e palpável, aí sim, fiquei mesmo muito contente por a Direção apostar numa lógica de continuidade e ser eu o treinador da equipa principal.
Já falou com o presidente André Villas- Boas? Ele fez-lhe algum pedido especial? Acho que não fez nenhum pedido especial. Aquilo que vou sentindo da parte da Direção e mais concretamente do presidente é que o futsal é visto como uma modalidade muito acarinhada por esta Direção. Aquilo que sinto é que temos a responsabilidade de fazer o que é normal e apanágio de um clube como o FC Porto, que é criar um projeto ganhador e com o qual os adeptos se identifiquem. Esse é o principal pedido que me é feito desde o primeiro dia.
Como idealizou a composição da equipa técnica? Se calhar, vou fazer aqui uma confidência. No ano passado, quando fizemos a equipa técnica dos sub-19, já idealizei essa equipa técnica com o intuito de começar a criar ali algumas dinâmicas entre algumas pessoas com o objetivo de podermos ser a equipa técnica dos seniores, independentemente de eu ser ou não o treinador principal. Há ali duas ou três pessoas que já vêm daí e é esse o princípio. Depois, a ideia de trazer o Israel e o Dino foi para acrescentar coisas que nos faltavam. Foi uma mescla de pessoas que já cá estavam e que entraram com este intuito de aproveitar o“ ano zero” para consolidar o projeto que sabemos que o clube quer construir. Depois de ver as relações entre as pessoas, identificámos o que nos faltava e trouxemos outras pessoas para cá. O facto de serem pessoas identificadas com o clube, porque temos uma forma de estar muito própria que vai muito para além das quatro linhas, foi fundamental.
“ O FC PORTO TEM UMA HISTÓRIA IMENSA E ESSA HISTÓRIA FAZ COM QUE AS PESSOAS SEJAM APAIXONADAS POR ESTE CLUBE. QUANDO ESTIVERMOS A JOGAR, TEMOS DE REPRESENTAR ESSA PAIXÃO.”
61