LIGA DOS CAMPEÕES
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
LA CARTUJA É A CASA PROVISÓRIA DO BETIS, MAS OCUPA UM LUGAR DEFINITIVO NA MEMÓRIA DO FC PORTO: FOI ALI QUE OS DRAGÕES CONQUISTARAM A TAÇA UEFA EM 2003.
coincidências que o futebol sabe guardar durante décadas. FC Porto e Betis nunca se defrontaram numa competição da UEFA, mas a relação entre os dois clubes começou muito antes de existirem provas europeias. Em julho de 1935, os campeões de Portugal e de Espanha encontraramse no desaparecido Campo do Ameal, diante de cerca de 15 mil espectadores. O FC Porto venceu por 4-2 e conquistou a primeira Taça Ibérica. Noventa e um anos depois, o Betis volta a aparecer no caminho portista, agora em Sevilha e no estádio de uma das maiores conquistas internacionais do clube. O presente também aproxima esta eliminatória do jogo inaugural com o City. Manuel Pellegrini, treinador dos andaluzes, foi campeão em Inglaterra pelos“ citizens” em 2013 / 14. No plantel portista já passou, por sua vez, Cristian Tello, que representou os dois clubes. O Betis regressa à principal competição europeia após 21 anos e entrou nesta edição com uma vitória por 3-2 em Lille. O Estádio de La Cartuja mudou de inquilino, mas não de lugar na história do FC Porto.
Campeão do último dia Seis dias depois, o PSV visita o Dragão. Será um reencontro europeu e também pessoal para Francesco Farioli. Na temporada de 2024 / 25, o treinador italiano parecia encaminhado para conquistar a Eredivisie ao serviço do Ajax, mas o PSV recuperou nas últimas jornadas e sagrou-se campeão no derradeiro dia, transformando uma vantagem confortável da equipa de Amesterdão numa das reviravoltas mais marcantes do futebol neerlandês recente. O encontro de 20 de outubro será, por isso, mais do que um confronto entre dois habituais participantes nas competições europeias. Será também o reencontro de Farioli com o clube que lhe roubou aquele título. Pablo Rosario conhece ainda melhor o adversário. Antes de passar pelo Nice e chegar ao FC Porto, o médio disputou 138 jogos pelo PSV. É o ponto de contacto mais direto com uma equipa que conquistou os últimos três campeonatos neerlandeses e terminou a época passada 19 pontos à frente do Feyenoord. Peter Bosz mantém uma identidade ambiciosa, assente no domínio da bola, na pressão alta e na presença de vários jogadores em zonas adiantadas. O PSV cria problemas pela velocidade com que reage à perda, embora essa mesma ousadia possa abrir espaços nas suas costas. Os confrontos anteriores recomendam prudência. Em 1988, o FC Porto venceu por 2-0 nas Antas, mas sofreu em Eindhoven uma derrota pesada por 5-0. Quatro anos depois, já na primeira edição da Champions, empatou 2-2 em casa e venceu por 1-0 nos Países Baixos. O passado oferece avisos para todos os gostos.
De Manchester a Nápoles O City sai do calendário, mas não inteiramente do enredo. A 4 de novembro, Kevin De Bruyne regressa ao Dragão, desta vez com o azul do Napoli. O médio belga, que encerrou em 2025 uma década extraordinária em Manchester, durante a qual conquistou a Liga dos Campeões e seis títulos de campeão de
Inglaterra, conhece bem o estádio. Em dezembro de 2020, ficou no banco no empate sem golos entre o FC Porto e o Man City. Na primavera seguinte, foi titular no Dragão na primeira final da Champions disputada pelos“ sky blues”, numa noite que terminou com a vitória do Chelsea por 1-0 e com De Bruyne a sair lesionado. Regressará agora com a camisola do Napoli e uma memória bem diferente da que gostaria de ter guardado. A presença de De Bruyne dá ao encontro uma curiosa continuidade: depois de começar a prova diante do clube que definiu grande parte da carreira do belga, o FC Porto recebe-o três jornadas mais tarde com uma nova camisola. E o Napoli não se resume a ele. Scott McTominay, Stanislav Lobotka e Zambo Anguissa dão peso e variedade ao meiocampo, enquanto Rasmus Højlund acrescenta profundidade e presença na área. No banco estará Massimiliano Allegri, outro nome com memória no Dragão. Foi ele quem orientou a Juventus que eliminou o FC Porto nos oitavos de final da Champions de 2016 / 17. Os napolitanos também já deixaram marcas mais antigas. Venceram os dois jogos da Taça UEFA de 1974 / 75, ambos por 1-0. O FC Porto respondeu quase quatro décadas depois: em 2014, ganhou por 1-0 no Dragão, empatou 2-2 em Itália e afastou o Napoli nos oitavos de final da Liga Europa. Rolando passou pelos dois balneários e De Bruyne constrói agora a ponte mais inesperada.
Roterdão, depois Anfield A segunda metade do calendário começa no De Kuip, a 24 de novembro.
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