FUTEBOL
SETEMBRO 2026 REVISTA DRAGÕES
O mérito não pede silêncio
O FC Porto recebeu um prémio pelo 31.º título nacional e André Villas-Boas chamou Diogo Costa para o partilhar. Na gala Portugal Football Globes, o reconhecimento do passado recente conviveu com um aviso para o presente: ganhar não dispensa o clube de expor os problemas do futebol português.
Presidente e capitão, lado a lado com um prémio que pertence a todos: o 31.º título de campeão nacional valeu ao FC Porto a distinção por mérito desportivo na gala dos Portugal Football Globes.
O protocolo previa a presença do presidente, mas André Villas-Boas entendeu que faltava o capitão. Chamado ao palco da Arena Portugal para receber o prémio de mérito desportivo atribuído pela Federação Portuguesa de Futebol, convidou Diogo Costa a juntar ao momento:“ Não podia ser de outra maneira. É o verdadeiro representante dos valores do FC Porto.” O gesto deu rosto à ideia central do discurso: o título pertence ao grupo que soube transformar a dor em conquista. Villas-Boas recordou as perdas de Jorge Nuno Pinto da Costa, em 2024 / 25, e de Jorge Costa, no início de 2025 / 26, para sublinhar a“ transcendência individual e coletiva” de jogadores que se uniram em torno do emblema, dos seus valores e de Francesco Farioli. Ao treinador,“ um homem de especial carácter”, reconheceu o trabalho que devolveu aos Dragões um campeonato que escapava há quatro anos. A homenagem recuperou também um desafio que o presidente já tinha feito a Diogo Costa: usar o número
2, num tributo à história do dorsal de Jorge Costa. O capitão manteve o dele.“ É um grande 99, um grande guarda-redes”, elogiou Villas-Boas, antes de devolver o protagonismo ao conjunto:“ Este é um prémio dos jogadores, do coletivo, do trabalho.” Fora do palco, a celebração não suspendeu a exigência. Marco Silva tinha dito que em Portugal se conseguem“ condicionar árbitros antes dos jogos e depois dos jogos”, e Villas-Boas enquadrou a acusação nas“ frustrações normais de um treinador que chegou agora ao futebol português e perdeu o primeiro clássico”. A Rui Costa, que invocara uma dualidade de critérios, lembrou o pisão de Sudakov sobre Samu, em Guimarães, na época anterior, punido com amarelo. No mesmo jogo, João Pinheiro mostrou vermelho direto a Fabio Blanco por uma entrada de sola sobre o benfiquista Leandro Barreiro.“ Não sei se é essa a dualidade de critérios a que ele se refere”, comentou. Sobre Miguel Nogueira, foi taxativo –“ Acho que foi uma grande arbitragem” – e acrescentou uma estatística que dispensava interpretação:“ O FC Porto tem 21 pontos e tem sete vitórias em sete jornadas.” O arranque mereceu o adjetivo“ brilhante”, explicado pela continuidade do plantel, pelo trabalho do treinador e pelo compromisso da equipa. O entusiasmo, porém, veio acompanhado de travão:“ Estamos apenas no início do campeonato e muita coisa pode mudar.” A prudência nas contas não se estendeu às palavras sobre os bastidores. Villas-Boas voltou a denunciar uma“ Santa Aliança entre o Benfica e o Sporting”, com alinhamento na comunicação contra o FC Porto e nas estratégias na liga, e reafirmou a posição portista sobre as suspeições em torno da nomeação de árbitros e o pedido de suspensão dos órgãos do Conselho de Arbitragem.“ O FC Porto tem de expor os problemas do futebol português sempre que achar necessário e relevante.” O prémio reconheceu o mérito de uma equipa, mas não incluía um compromisso de silêncio.
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