BILHAR
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
O bilhar raramente escolhe a linha direta. A bola procura uma tabela, encontra outra, muda de sentido e só então chega ao destino. Mas, para ler a época 2025 / 26 do FC Porto, sucede precisamente o contrário: basta traçar uma linha entre os seis títulos nacionais e o nome de José Miguel Soares aparece em todos. Três conquistas pertencem à equipa: a Supertaça, a Taça de Portugal e o campeonato nacional. Outras três ficaram diretamente ligadas ao bilharista: a Taça de Portugal individual, o campeonato nacional e a primeira edição do ranking nacional de jogadores. Uma conta perfeita, sem casas vazias, e um domínio simultaneamente coletivo e individual que a modalidade não repetia desde 2017. José Miguel entrou na formação do FC Porto aos 12 anos e, cerca de duas décadas depois, faz parte de uma equipa que junta referências mundiais como Dick Jaspers e Torbjörn Blomdahl, sem perder a condição que torna o seu percurso tão particular: é um jogador formado no clube, dentro de um plantel construído para discutir os maiores títulos, e em 2025 / 26 tornou-se também a ponte entre todas as vitórias.
Do primeiro ao último A primeira taça foi entregue em outubro. No Clube Fenianos Portuenses, o FC Porto bateu o Clube Bilharista da Amadora por 6-0 e conquistou a 23.ª Supertaça do palmarés, a sexta consecutiva desde 2017( a prova não se realizou em 2021 e 2022). Torbjörn Blomdahl, Carlos Anguita, Rui Manuel Costa e José Miguel Soares formaram a equipa. Diante de Alexandre Vitorino, o portista venceu por 3-1 e ajudou a colocar o primeiro troféu da época a caminho do Museu. Seguiu-se a Taça de Portugal. A 25 de abril, na Amadora, o FC Porto derrotou o Leixões por 4-0 e ergueu o troféu pela 24.ª vez. Foi a oitava vitória consecutiva na prova, sequência iniciada em 2017 / 18 e prolongada por Torbjörn Blomdahl, Luís Pinto, Rui Manuel
Costa e, de novo, José Miguel Soares. O campeonato nacional fechou o pleno coletivo em junho. A primeira volta já tinha dado um aviso suficientemente claro: onze jornadas, onze vitórias e uma liderança sem discussão. Na Final 8, disputada em Famalicão, os portistas venceram os três encontros da fase de grupos, afastaram o Benfica com uma vitória expressiva por 8-0 na meia-final e superiorizaram-se ao Leça no duelo decisivo. O 28.º título nacional juntouse à Supertaça e à Taça de Portugal e devolveu o triplete ao bilhar portista. A acumulação de troféus pode sugerir facilidade, mas Rui Manuel Costa tratou de desfazer essa leitura quando os três chegaram ao Museu:“ Existe a ideia de que é muito fácil ganhar no bilhar, mas
JOSÉ MIGUEL SOARES CHEGOU À FORMAÇÃO AOS 12 ANOS. CERCA DE DUAS DÉCADAS DEPOIS, ESTEVE NOS SEIS TÍTULOS NACIONAIS DE UMA ÉPOCA QUE GANHOU TUDO EM PORTUGAL E AINDA SUBIU AO PÓDIO EUROPEU.
a verdade é que ano após ano se torna mais difícil.” A época não contrariou a exigência, respondeu à exigência.
Do plural ao singular Apenas uma noite intermediou as duas Taças de Portugal. A 25 de abril, José Miguel festejou com a equipa. No dia seguinte, sem sair da Amadora, trocou o plural pelo singular e venceu a prova individual. Depois de superar Alexandre Vitorino, José Biscaia e o companheiro Rui Manuel Costa, derrotou Artur Figueiredo por 3-0 na final. Em menos de 24 horas, a mesma competição entregou-lhe dois títulos diferentes. A regularidade também passou a ter um prémio próprio. Criado em 2025 / 26, o ranking nacional de jogadores somou os resultados dos quatro opens nacionais às pontuações obtidas na Taça de Portugal e no campeonato nacional. Não distinguia apenas uma tarde feliz ou uma sequência eliminatória perfeita, procurava, isso sim, o jogador mais consistente ao longo de toda a época. José Miguel construiu essa vantagem em vários momentos. Venceu o segundo open nacional, na Amadora, depois de bater
Rui Manuel Costa na meia-final e Manuel Pereira no encontro decisivo. Voltou a subir ao lugar mais alto no quarto e último open, disputado no Estádio da Luz, onde superou Artur Figueiredo por 40-29. Os pontos acumulados, reforçados pelo triunfo na Taça, fizeram dele o primeiro vencedor do novo título. Faltava o campeonato nacional individual. Na fase final a oito, realizada em junho nas instalações do Leixões, José Miguel chegou à última jornada em posição de revalidar o troféu conquistado um ano antes e a vitória por 40-34 sobre Rui Manuel Costa confirmou o bicampeonato. Luís Pinto terminou no segundo lugar e Rui fechou o pódio, dando ao FC Porto os três primeiros classificados. Também no singular, não ficou nada por ganhar.
O bronze depois do ouro A época ainda reservava uma última escala. Em julho, o Pavilhão Municipal de Leça da Palmeira recebeu a Taça da Europa de Clubes e colocou o FC Porto diante de algumas das melhores equipas do continente. A caminhada chegou às meias-finais, onde o Billard Club Andernosien venceu por 5-3. Mesmo na derrota, José Miguel voltou a ocupar o centro da história. Com os franceses em vantagem, bateu Jérôme Barbeillon por 40-37 e manteve o FC Porto na discussão do acesso à final. Rui Manuel Costa chegou depois aos 40 pontos, mas Gwendal Maréchal igualou na última entrada e entregou o apuramento à formação francesa. A medalha de bronze não entra na conta dos seis títulos nacionais, mas completa o retrato. As conquistas coletivas medem a força da equipa, as individuais revelam a dimensão da época de José Miguel e o pódio europeu mostra o nível em que ambos se movimentam. O jogador que chegou à formação aos 12 anos tornou-se o denominador comum de uma das temporadas mais completas da história recente da secção. No bilhar, quase todos os caminhos dependem de um ângulo, mas este lê-se a direito: seis títulos nacionais, um bronze europeu e o mesmo nome em todas as tabelas.
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