FUTSAL
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
A 9 de agosto, ao intervalo do FC Porto- Alverca, Cardinal conduziu ao relvado do Dragão uma equipa que ainda não tinha feito o primeiro treino nem disputado um minuto, mas que encontrou ali o primeiro aplauso. Depois de quase três décadas a ouvir falar de um projeto que não avançava, e de admitir que chegou a perder a esperança, o número 7 apresentou aos adeptos aquilo por que esperou uma carreira inteira. Sem bola nem resultado, o futsal sénior do FC Porto viveu naquele momento a primeira página pública da sua história.
As apresentações costumam mostrar aquilo que já existe, mas esta revelou uma equipa que ainda estava a poucas horas de começar. A 9 de agosto, no intervalo do FC Porto- Alverca, o relvado do Estádio do Dragão recebeu os primeiros jogadores da história da equipa sénior masculina de futsal. As dimensões estavam erradas para a modalidade, mas o palco tinha o tamanho certo para o momento. Não houve cinco inicial, bola ao centro nem resultado. Os nomes foram chamados, os jogadores apareceram diante das bancadas e a equipa conheceu os adeptos antes de se conhecer verdadeiramente a si própria. Dentro de dois dias começariam os treinos, mas naquele domingo bastava que todos pudessem confirmar que o projeto anunciado já tinha treinador, capitão, equipa técnica e plantel. André Pereira apareceu como o primeiro responsável por uma equipa que não nasceu do zero. Antigo coordenador da formação, o treinador chegava depois de conduzir os sub-19 ao título regional com 18 vitórias em 18 jornadas. A promoção ao comando dos seniores deu continuidade a um trabalho iniciado dois anos antes e deixou clara uma das linhas do projeto: a nova equipa não nasceu apenas para competir na terceira divisão, tem de criar uma passagem entre a formação e o patamar sénior.“ Mais do que atacar a terceira divisão, estamos a preparar um projeto a longo prazo”, explicara o técnico quando foi apresentado. A frase atribuía ao primeiro campeonato a importância certa. Subir é o objetivo imediato, mas construir uma equipa capaz de não depender apenas dessa subida é o desafio que fica para lá da classificação.
O dia que não se repete Na terça-feira, 11 de agosto, o grupo trocou a escala do estádio pela medida exata do pavilhão. Depois dos exames médicos e dos testes físicos realizados na Clínica do Dragão, 16 jogadores apresentaram-se no Dragão Arena para o primeiro treino: três guarda-redes, dois fixos, nove alas e dois pivôs. André Pereira entrou acompanhado por Israel Alves e Rui Cunha, treinadores adjuntos, Sandro Barradas, treinador de guarda-redes, João Moreira, preparador físico, e Dino Veloso, analista. Pela primeira vez, seis elementos da equipa técnica e 16 jogadores deixaram de ser uma lista de nomes e passaram a dividir exercícios, indicações e espaço. Um primeiro treino não explica como jogará uma equipa, mas revela aquilo que ela precisa de começar a aprender. Alguns atletas já tinham partilhado balneários, outros conheciam-se apenas como adversários e vários encontravam pela primeira vez companheiros com quem terão de tomar decisões em frações de segundo. O futsal não oferece muito espaço, e aquele dia também não o concedeu às apresentações demoradas. Era preciso começar. Cardinal foi a voz escolhida para contar o momento. Aos 41 anos, com uma carreira preenchida por títulos nacionais e europeus, o número 7 era o rosto mais reconhecível de uma equipa acabada de formar, mas recusou usar a braçadeira como distância. Classificou a responsabilidade de ser o primeiro capitão como“ muito grande” e acrescentou de imediato:“ O mais importante é sempre o coletivo e eu sou só mais um.” A experiência permite-lhe saber que as equipas não nascem coesas apenas porque aparecem juntas numa fotografia.
O FUTSAL DO FC PORTO JÁ TEM CAMISOLA, CAPITÃO E AMBIÇÃO. CARDINAL ENTRA NA HISTÓRIA COMO O PRIMEIRO LÍDER DA EQUIPA E PROMETE FAZÊ-LO PELO EXEMPLO.
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