CLUBE
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
ONDE JORGE COSTA CONTINUA
Um minuto de silêncio atravessou os relvados e chegou ao Dragão Arena, uma camisola reuniu o rosto, o número e a bandeira, um documentário começou a devolver voz às imagens e a Supertaça entrou na Igreja de Cristo Rei pelas mãos do capitão atual. No primeiro aniversário da morte de Jorge Costa, o FC Porto não se limitou a olhar para trás. Mostrou os vários lugares onde o exemplo do capitão de Sevilha, Gelsenkirchen e Yokohama continua a fazer parte do presente.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
A
5 de agosto, quando se cumpriu um ano sobre a morte de Jorge Costa, o FC Porto voltou à Igreja de Cristo Rei. Desta vez, Diogo Costa entrou com a Supertaça nas mãos. O atual capitão levava com ele o primeiro troféu da nova temporada, conquistado poucos dias antes, para a missa em memória de quem usou durante anos a braçadeira como medida de responsabilidade. A imagem dispensava explicações. Entre os dois capitães havia uma taça, um Clube e a ideia de que recordar Jorge Costa nunca poderia significar apenas regressar ao passado. Naquela cena cabia um dia inteiro, que começou no centro de treinos com o nome dele, passou pelos relvados da formação e pelo pavilhão, ganhou forma numa camisola e futuro num documentário. Terminava junto da família, dos amigos, dos jogadores, das equipas técnicas e dos dirigentes, com um troféu no lugar onde o FC Porto se despedira de Jorge Costa. Não foram homenagens isoladas nem diferentes maneiras de preencher um programa. Cada gesto usou uma linguagem própria( o silêncio, a imagem, o testemunho, a competição) para dizer a mesma coisa: Jorge Costa permanece dentro da vida diária do clube. Na mensagem publicada no site oficial na manhã do aniversário, André Villas- Boas deu palavras a essa continuidade. Recordou que Jorge Costa tinha regressado ao FC Porto em 2024 não para“ viver da memória”, mas para trabalhar, decidir, exigir e ajudar a reconstruir uma equipa preparada para vencer. Reconheceu-lhe parte das bases do 31.º título de campeão nacional e sublinhou que, depois da morte, a influência dele continuou a acompanhar o grupo ao longo da temporada. As homenagens de 5 de agosto nasceram precisamente dessa ideia: Jorge Costa não foi convocado apenas como figura histórica, mas como parte do caminho que o clube continua a percorrer.
Quando todos pararam O dia de trabalho começou de forma diferente no Olival. O plantel principal e a equipa técnica reuniram-se no relvado, depositaram uma coroa de flores e cumpriram um minuto de silêncio antes de prepararem o jogo seguinte. Não era necessário sair dali para encontrar o capitão de três títulos internacionais. O nome já lá estava, no lugar onde se treina, se decide, se corrige e se volta a tentar. A homenagem repetiu-se na equipa B e nos escalões de sub-19, sub-17 e sub-15. Mais tarde, também as equipas das modalidades de pavilhão interromperam os treinos. Durante sessenta segundos, desapareceram as diferenças entre relvados, pisos, bolas, balizas e calendários. Ficou um clube inteiro parado diante do mesmo exemplo. Jorge Costa fez carreira no futebol, mas aquilo que representava nunca coube numa só modalidade. O caráter, a coragem, a frontalidade, a lealdade e a entrega não pertencem a uma equipa nem dependem das dimensões do terreno de jogo. Fazem parte de uma ideia de FC Porto que se reconhece em qualquer camisola e em qualquer competição. Por isso, dar o seu nome ao centro de treinos não foi apenas fixar uma memória numa fachada. André Villas- Boas definiu-o como“ uma presença e um
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