TEMA DE CAPA
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
Antes de a bola começar a rolar em Coimbra, André Villas-Boas retirou qualquer conforto ao que ficara para trás. O FC Porto chegava à primeira final da temporada como campeão nacional e recordista da competição, mas a história não entraria em campo para resolver o jogo.“ Uma nova época começa do zero, e esta é uma final”, escreveu o presidente no programa oficial da prova. Era uma forma simples de colocar tudo novamente em disputa. A primeira dificuldade estava debaixo dos pés. Francesco Farioli já tinha avisado na véspera que o Estádio Cidade de Coimbra apresentava“ um novo tipo de relvado híbrido: com relva e sem relva”. A ironia ainda cabia na antevisão, mas, durante o jogo, perdeu rapidamente a graça. Bastaram poucos minutos para o relvado começar a desfazer-se. A bola prendiase, os apoios fugiam e grandes placas de relva levantavam-se a cada mudança de direção. O futebol ficou mais lento, mais imprevisível e também mais perigoso. Jan Bednarek foi a consequência mais visível: lesionou-se num lance em que o pé e o joelho ficou preso no terreno e já não regressou para a segunda parte. O Torreense adaptou-se melhor ao desconforto inicial. Entrou agressivo, subiu a pressão e empurrou o FC Porto para zonas onde era difícil sair a jogar, quanto mais fazê-lo sobre um terreno que mudava a cada passada. Farioli reconheceria depois que, durante os primeiros minutos, a equipa praticamente não conseguiu abandonar o próprio meiocampo. A final começou por exigir resistência antes de permitir futebol. Aos poucos, o FC Porto ganhou espaço. Pepê começou a encontrar lugares onde parecia não haver nenhum, aproximou-se de André Silva, serviu William Gomes e transformou-se na principal fonte de desequilíbrio. O jogo continuava aos solavancos, mas já pendia para o lado azul e branco. Aos 38 minutos, Pepê e Victor Froholdt encontraram a forma mais segura de evitar o relvado: levantaram a bola. O brasileiro cruzou, o dinamarquês subiu entre os defesas e o cabeceamento encontrou a baliza. Quando o chão não oferecia um caminho, o
Em cima: Jakub
Kiwior conduz a bola sob a pressão de Musa Drammeh, retrato de uma final em que o FC Porto teve de conquistar cada metro.
Em baixo: Victor
Froholdt levou o festejo até aos adeptos depois de responder de cabeça ao cruzamento de Pepê e marcar o único golo da final.
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