TEMA DE CAPA
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
Aveiro, agosto de 2024. A perder por 3-0, o FC Porto encontrou em Galeno a primeira resposta. Este é o momento do 1-3, ainda longe da festa, mas já dentro da história, com a bola debaixo do braço e a remontada a ganhar pulso.
A SUPERTAÇA TEM SIDO PARA O FC PORTO MAIS DO QUE UM TROFÉU DE ARRANQUE. É UMA PROVA DE AUTORIDADE PRECOCE. É CHEGAR, COMPETIR E GANHAR ANTES DE A ÉPOCA GANHAR CORPO. CHAMAR-LHE HEGEMONIA
CONTINUA A SER POUCO, MAS TALVEZ JÁ NÃO SEJA PRECISO PROCURAR UMA PALAVRA MAIOR. BASTA OLHAR PARA A COLEÇÃO.
a União de Leiria. O“ Ministro” entrou, Nuno Valente cruzou e a Supertaça voltou a obedecer. Em 2004, Ricardo Quaresma resolveu contra o Benfica com um daqueles golos que parecem nascer já com moldura.
A taça dos primeiros dias Também houve treinadores que começaram a ganhar antes de terem tempo para aquecer a cadeira. Em 2006, com Co Adriaanse de saída e Jesualdo Ferreira a caminho, Rui Barros sentou-se no banco em Leiria e levantou o troféu ao primeiro jogo, depois de três golos na segunda parte frente ao Vitória de Setúbal. Em 2009, Jesualdo ergueu a sua Supertaça e abriu uma série de cinco conquistas consecutivas, todas em Aveiro. A cidade dos canais tornouse quase uma dependência azul e branca: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013. Cinco anos, cinco taças, cinco arranques a ganhar. Esse penta teve de tudo. Teve Bruno Alves a subir mais alto do que a lógica. Teve o FC Porto demolidor de André Villas-Boas a apresentar-se ao país em 2010, com Rolando a marcar cedo e Falcao a fechar uma transição conduzida por Silvestre Varela. Teve, em 2011, um golo que parecia coreografado numa oficina de fantasia, com calcanhar de João Moutinho, letra de Hulk e cabeça de Rolando. Teve Jackson Martínez a decidir em 2012, ao minuto 90, na estreia oficial, como quem chega a casa, deixa a mala no corredor e começa logo a marcar. Teve Paulo Fonseca a conquistar o primeiro título da carreira em 2013, com Licá, Jackson e Lucho a arrumar o Vitória de Guimarães antes de haver tempo para dúvidas. Mais tarde, a Supertaça continuou a inventar pequenos argumentos. Em 2018, o FC Porto começou a perder frente ao Desportivo das Aves, mas Brahimi acendeu o jogo e Maxi Pereira e Tecatito Corona trataram do resto. Em 2020, na antevéspera de Natal, Sérgio Oliveira enganou Vlachodimos de penálti e Luis Díaz fechou a questão perto dos 90, com um golo de pé esquerdo e uma celebração que parecia um sinal de trânsito: assunto encerrado. Em 2022, Taremi bisou e Evanilson também marcou frente ao Tondela, acrescentando volume a um domínio que já roçava o abuso estatístico.
A noite que mudou de ideias E depois houve 2024, claro. A Supertaça que esteve perdida para quase todos, menos para quem ainda a podia ganhar, com o Sporting a marcar uma, duas, três vezes. À meia hora, a noite tinha cara de desastre, mas Galeno reduziu antes do intervalo, Nico González aproximou as contas no segundo tempo, Galeno voltou a marcar e Iván Jaime protagonizou, no prolongamento, a explosão final de uma remontada sem precedentes. Foi o FC Porto a lembrar que, nesta prova, a palavra impossível costuma durar pouco. A 25.ª conquista, diante do Torreense, junta-se agora a este arquivo de episódios sem apagar nenhum. Pelo contrário, faz-lhes companhia. Acrescenta um adversário novo à lista, prolonga a linha de domínio e reforça a sensação de que a Supertaça é, para o FC Porto, muito mais do que um aperitivo competitivo. É uma declaração de intenções. Alguns troféus falam apenas de uma vitória, mas há outros capazes de resumir uma época inteira. No caso do FC Porto, a Supertaça traduz uma relação prolongada com a vitória: a capacidade de chegar pronto ao primeiro compromisso oficial e de transformar o arranque numa oportunidade de afirmação. Conta a história de um clube que aprendeu a ganhar em maio, em junho, em agosto, em dezembro e até quando a prova se lembrou de fazer escala em Paris. Chamar-lhe hegemonia continua a ser pouco, mas talvez já não seja preciso procurar uma palavra maior. Basta olhar para a coleção. Vinte e cinco Supertaças depois, a prova pode continuar a mudar de palco, de data e de adversário, porque o destino raramente se engana.
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