Dragões #477 Ago 2026 | Page 12

TEMA DE CAPA
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
Vinte e cinco Supertaças. O número já não parece uma estatística, parece uma morada. O FC Porto chegou a esta edição com uma vantagem histórica que dispensava apresentações, mas não dispensava atualização. Já era o clube com mais vitórias na prova, dono de um domínio sem paralelo e de uma coleção tão vasta que durante muito tempo se admitiu como válida uma frase quase absurda: sozinho, tinha mais Supertaças do que toda a concorrência junta. Agora, com mais uma peça encaixada no puzzle, o argumento ganhou outra camada, porque não se trata apenas de liderança, tradição ou eficácia. É domínio com história suficiente para deixar de parecer estatística e começar a parecer cultura competitiva. O Torreense entrou nesta cronologia como adversário novo, fresco, surpreendente, mas legítimo vencedor da Taça de Portugal e protagonista de uma presença que acrescentou novidade à prova. Ainda assim, a pergunta era antiga: como se responde ao FC Porto quando a Supertaça se aproxima? A resposta voltou a ser escrita a azul e branco, num jogo em que os Dragões confirmaram o estatuto de campeões nacionais e prolongaram para a nova época aquilo que tinham deixado como herança da anterior: autoridade. O mais curioso é que esta relação nunca precisou de uma fórmula única. A Supertaça já se apresentou de muitas maneiras, quase todas com feitio próprio. Já foi decidida em duas mãos, em finalíssimas, no prolongamento, nos penáltis, no calor de agosto, no frio de dezembro e até na antevéspera de Natal. Já passou pelas Antas, pela Luz, por Coimbra, Aveiro, Guimarães, Vila do Conde, Leiria e Paris. Mudou de formato, de mês, de estádio, de adversário e de grau de dificuldade. O FC Porto, por sua vez, foi mudando de equipa, de treinador, de geração e de estilo, mas a prova, demasiadas vezes para ser coincidência, acabava por encontrar o mesmo caminho.
Uma reviravolta para começar Logo na primeira edição oficial, em 1981, a prova percebeu com quem estava a lidar. O Benfica trazia vantagem da Luz e parecia ter a conversa encaminhada, mas nas Antas apareceu Jacques, avançado de instinto demolidor, a virar a tarde com um hat-trick. Pelo meio, ainda houve tempo para o susto, para a matemática
Entre Petit e Karadas, Carlos Alberto abre os braços e a imagem ganha pose de super-herói. O gesto decisivo, contudo, já estava feito: a assistência soberba para Ricardo Quaresma marcar o único golo da Supertaça de 2004.
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