LINHA AZUL
JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES
Fale-nos também sobre o Guilherme Borges, pivô que chegou dos franceses do Istres Provence. É um jogador com bastante experiência internacional, que veio muito jovem para Espanha, para jogar no Ademar León. Esteve algumas temporadas em Espanha, depois seguiu para França. É um jogador já inquestionável na seleção brasileira, que, como o decorrer dos anos, se tem afirmado no panorama internacional, portanto é um atleta que poderá acrescentar alguma criatividade no ataque, porque se mexe muito bem no interior da defesa adversária, que tem muito boas sensações e é um bom finalizador. Na defesa também tem bastante intensidade, embora não seja um defensor brilhante, mas é um jogador que poderá, pela sua energia, se calhar até culturalmente, por ser brasileiro, transmitir muito boa energia a este grupo. Esta era uma posição na qual precisávamos de encontrar um jogador, porque, com a saída do Timmy Petit e do Jesús Hurtado, ficámos um pouco debilitados naquela posição por só termos dois atletas. É um posto específico fulcral no andebol, não poderíamos só ter dois pivôs, embora tenhamos também um jovem connosco bastante interessante, mas precisávamos de encontrar um atleta com mais experiência. Surgiu esta oportunidade, ele demonstrou um grande interesse e uma grande disponibilidade para ingressar no FC Porto e, quando assim é … queremos jogadores que queiram muito jogar pelo FC Porto e ele tem esse perfil. Está pronto para nos ajudar.
Numa época disputada ao mais alto nível, é importante contrastar a juventude com a experiência. Nesse sentido, como vê as renovações do Daymaro e do Gilberto Duarte? Não tenho qualquer dúvida de que são dois atletas que transmitem os valores do FC Porto, porque já ganharam muita coisa neste clube. Quero que transmitam essa cultura de vitória aos mais jovens e a responsabilidade que é, não só dentro do campo, mas também fora dele, porque são dois atletas que têm um excelente comportamento, quer dentro do campo, quer fora. Estou muito contente por eles continuarem ao serviço do FC Porto.
A competição arranca no final do próximo mês e há Campeonato, Taça de Portugal e Champions para jogar. O que se pode esperar do FC Porto em 2026 / 27?
Pode esperar-se uma equipa que vai transmitir muita energia, que vai disputar todas as bolas como se fossem a última, com o espírito do FC Porto. O nosso grande objetivo é voltar a conquistar o Campeonato Nacional. Os adeptos podem esperar uma equipa que irá entrar em todos os jogos para ganhar. Queremos voltar a ter uma equipa que deixa tudo dentro do campo e que vai atrair os portistas pela energia que irá transmitir.
O que é preciso fazer para alcançar um título nacional que escapa desde 2022 / 23? Acreditamos que, se a equipa jogar com o espírito do FC Porto, de guerreiro, e acreditar até o último momento que pode ganhar, estaremos muito mais próximos de ganhar. É nisso que temos trabalhado todos os dias. Trabalhamos diariamente a 100 % com certeza de que assim iremos jogar com uma intensidade e com uma energia que trarão mais dificuldades aos adversários que nos queiram derrotar.
Os rivais reforçaram-se para esta temporada. Espera um campeonato ainda mais competitivo? O Sporting conquistou o campeonato nos últimos anos e é uma equipa fortíssima, que tem feito excelentes campanhas, não só a nível interno, mas também na Liga dos Campeões. O Benfica é uma equipa que ainda iremos analisar, porque o fez mudanças profundas no plantel, com muitos jogadores novos e a mudança de treinador. A decisão do título irá passar por estas três equipas, embora haja outras que podem incomodar, principalmente quando jogam em casa, mas vai ser um campeonato bastante interessante e competitivo, no qual o FC Porto terá uma palavra a dizer.
A época marca também o regresso do clube à Liga dos Campeões. Quais são os objetivos nesta competição? Os objetivos do FC Porto são entrar em todos os jogos para ganhar. Sabemos da dificuldade do grupo que temos. Assumimos como objetivo vencer os três jogos que iremos disputar em casa e fazer o melhor possível fora, entrando sempre para ganhar, como é óbvio. Para já, o nosso primeiro objetivo é passar a fase de grupos, depois traçaremos as metas daí em diante.
O FC Porto vai defrontar o Vészprem, da Hungria, o Füchse Berlin, da Alemanha, e o Partizan, da Sérvia, na fase de grupos. Que adversário que tem mais curiosidade em defrontar? Felizmente, já defrontei o Füchse Berlin e o Vészprem. O Partizan nunca defrontei. Quer o Füchse Berlin, quer o Vészprem têm duas casas extraordinárias para se jogar, com um ambiente fantástico. Quanto ao Partizan, tradicionalmente a Sérvia é um país com adeptos fervorosos, por isso também o será. Eles investiram bastante nesta época. O treinador do Partizan é o selecionador sérvio, um treinador espanhol de créditos firmados, portanto com certeza que também irá ter uma equipa bastante competitiva. A curiosidade é voltar à energia que a Champions transmite a toda a gente. É uma montra para toda a gente e vamos com certeza usufruir dessa montra para mostrar a qualidade do nosso andebol.
Já vimos o FC Porto conseguir grandes façanhas frente aos tubarões do mundo do andebol. O que não pode faltar a este plantel para as repetir? Temos de estar ao nosso melhor nível. Essa é a chave para estes grandes momentos. Estar ao melhor nível, acreditar que se pode ganhar, que nos podemos bater com qualquer equipa olhos nos olhos. Sabemos da dificuldade que vamos enfrentar, mas estamos todos convictos de que, estando ao nosso melhor nível e acreditando que podemos ganhar, com certeza iremos disputar todos os jogos.
Muitas dessas noites épicas aconteceram no Dragão Arena. O público pode ser decisivo, não só nas provas europeias, mas ao longo de toda a temporada? Todos sabem que este pavilhão, quando está cheio, é uma casa extremamente difícil para qualquer adversário. Queremos voltar a fazer deste Dragão um inferno para toda a gente. Para isso, necessitamos que os portistas nos venham ajudar, principalmente nos momentos difíceis, porque também os vamos ter. Nesses momentos difíceis, se tivermos um empurrão extra, vai ajudarnos bastante. Sabemos o que os nossos adeptos são capazes de fazer, conseguem transformar jogos em muitos momentos. Ainda num passado recente tivemos aqui bons exemplos, até em outras modalidades. Queremos voltar a ter este espírito no Dragão e no andebol.
73