Dragões #476 Jul 2026 | Page 47

FUTEBOL
JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES

Um clube, sete Champions

Sete equipas, várias geografias competitivas e a mesma palavra no horizonte: Champions. Em 2026 / 27, o FC Porto estará entre a elite europeia no futebol sénior, na Youth League, no andebol, no basquetebol, no hóquei em patins, no voleibol e no goalball, consequência direta de uma época em que o clube fez do sucesso uma linguagem transversal.
TEXTO DE PEDRO DINIZ

A mesma palavra vai atravessar relvados, pavilhões e desporto adaptado. Champions no futebol sénior, Champions na formação, Champions nas modalidades, Champions no goalball. Mais do que uma coleção de presenças internacionais, este mapa europeu ajuda a explicar o que foi 2025 / 26 e aquilo que o FC Porto levará para a época seguinte: títulos, ambição e uma ideia de clube que não se esgota numa equipa. André Villas-Boas deu-lhe a moldura certa no editorial da Dragões de junho:“ Não é acaso. Não é sorte. Não é circunstância. É trabalho. É método. É critério.” A frase nasceu a propósito do pleno no futebol, mas serve para ler o retrato completo. A presença do FC Porto em tantas frentes da elite continental não surge como acidente de calendário. É consequência. E talvez seja essa a melhor forma de entender a palavra Champions quando ela aparece repetida em sete caminhos diferentes. No futebol sénior, o 31.º título de campeão nacional devolveu os Dragões à fase de liga da maior competição europeia de clubes. O FC Porto regressa ao palco onde construiu algumas das páginas mais importantes da sua história com o estatuto de campeão nacional e a responsabilidade que esse estatuto carrega. Depois de uma época de reconquista interna, a Champions volta a ser território natural. O pleno nacional no futebol deu ainda outro alcance à época. Com os títulos de sub-19, sub-17 e sub-15, o FC Porto repetiu algo que só tinha conseguido em 1985 / 86 e 1997 / 98, duas temporadas que pertencem ao arquivo nobre do clube: a primeira, na antecâmara do título europeu de Viena; a segunda, em pleno ciclo do pentacampeonato. Para os juniores, campeões nacionais pela 24.ª vez, o prémio também é europeu: presença na fase de liga da UEFA Youth League, com calendário e adversários alinhados com a equipa principal. Aqui, o futuro não fica à porta e sobe ao mesmo palco da Champions. No pavilhão, o retrato ganha outras cores, mas não muda de exigência. O basquetebol voltou a ser campeão nacional dez anos depois e garantiu acesso direto à fase regular da Liga dos Campeões. O FC Porto, primeiro clube português a competir na prova,

“ NÃO É ACASO. NÃO É SORTE. NÃO É CIRCUNSTÂNCIA. É TRABALHO. É MÉTODO. É CRITÉRIO.”
logo na edição inaugural de 2016 / 17, prepara agora a terceira participação e a estreia nesta etapa da competição. André Villas-Boas chamou-lhe uma conquista“ bonita, justa e profundamente portista”. Também podia chamar-lhe reconstrução com bilhete europeu. No hóquei em patins, a palavra Champions chega com brilho próprio. O FC Porto parte para 2026 / 27 como campeão europeu em título, depois de ter vencido o Barcelona em Coimbra e ter conquistado a Liga dos Campeões pela quarta vez, juntando 2026 a 1986, 1990 e 2023. A próxima missão é simples de escrever e difícil de cumprir: defender a coroa e procurar a mão cheia de troféus na competição. O voleibol feminino também entra neste mapa depois de uma época de afirmação interna. Campeãs nacionais e vencedoras da Taça de Portugal, as azuis e brancas têm no horizonte a segunda participação na Champions, depois da presença na fase de grupos em 2024 / 25. O trajeto começará nas rondas de qualificação, mas o sinal é mais largo do que o calendário, porque competir ao mais alto nível deixou de ser exceção e passou a fazer parte do vocabulário da equipa. No andebol, o desafio chega por convite e com peso de elite. O wildcard concedido pela EHF devolve o FC Porto à Liga dos Campeões, agora num formato alargado a 24 equipas. Veszprém, Füchse Berlin e Partizan serão os primeiros adversários de uma equipa que conhece bem a densidade da competição e que volta a entrar num espaço reservado a poucos. O goalball fecha o mapa com a autoridade de quem se habituou a ganhar. Campeonato, o terceiro consecutivo, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça fizeram de 2025 / 26 uma época de domínio total. A quarta participação na Liga dos Campeões confirma essa força e alarga a ideia de ecletismo do clube, lembrando que a elite europeia também se constrói no desporto adaptado. No mesmo editorial, André Villas-Boas escreveu que“ a ânsia de vencer não nos permite adormecer” e a frase funciona quase como aviso para a época que aí vem. O êxito de 2025 / 26 não fecha um ciclo, aumenta a exigência, e a Europa abre-se agora em sete frentes, com sorteios, viagens, adversários e formatos diferentes, mas com uma matriz comum. Um só clube, sete equipas e a mesma palavra no horizonte. Champions.
47