FUTEBOL
JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES uns mais óbvios, outros mais subtis. Com o Aston Villa, o fio voltou a atravessar a Europa, desta vez unindo clubes separados por geografias, épocas e mitologias diferentes. O curioso é que o primeiro golo da história destes particulares no Dragão nem sequer foi apontado de azul e branco. Em agosto de 2004, o argentino Equi González colocou o Panathinaikos em vantagem antes de Benni McCarthy fazer o empate. Nesse dia, cruzaramse 17 campeões europeus, quatro pela seleção grega e 13 pelo FC Porto, e a tarde serviu de prólogo para uma época que terminaria com a conquista da Taça Intercontinental em Yokohama. Desde então, estas apresentações tornaramse um corredor entre tempos, com o passado a entrar pela porta principal, o futuro à espera no túnel e o presente a tentar organizar tudo em 90 minutos. Sem procurar sê-lo, o estádio tornouse uma espécie de arquivo de carreiras em diferentes fases: umas já escritas a tinta permanente, outras ainda a lápis. Foi também neste território de impressões iniciais que Sérgio Conceição
se sentou pela primeira vez no banco do FC Porto, em 2017, numa goleada ao Deportivo que rapidamente ganhou leitura de presságio. Antes disso, em 2009, o Mónaco tinha ajudado a evocar Gelsenkirchen, com um 3-0 que repetiu o resultado da final da Liga dos Campeões de 2004, embora já sem Carlos Alberto, Deco ou Alenichev no relvado. O resultado parecia o mesmo, mas o tempo já era outro. As apresentações aprenderam igualmente a funcionar como lugar de regresso e homenagem. Pedro Emanuel despediu-se do futebol numa noite carregada de emoção, João Pinto e Vítor Baía foram distinguidos pela longevidade, Sir Bobby Robson voltou a unir FC Porto e Newcastle numa ovação comum, e Falcao regressou ao estádio onde se tinha transformado numa referência. Nesta porta de verão, a saudade nunca precisou de convite. Houve ainda noites em que a novidade não estava no adversário. A aparição inesperada de Luuk de Jong ao fundo do túnel provou que o futebol ainda consegue guardar um segredo. Em plena
Rayan Cherki acompanha, ao lado de Vitinha, o duelo entre Keita e Francisco Conceição num instante suspenso entre a disputa da bola e o silêncio das bancadas. Uma das grandes promessas formadas pelo Lyon, o criativo francês chegaria mais tarde ao Manchester City e à seleção francesa, pela qual marcou logo no jogo de estreia frente à Espanha, em junho de 2025. No Dragão, em julho de 2021 e em plena pandemia de covid-19, o futuro já estava em campo, embora o estádio permanecesse temporariamente privado da própria voz.
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