Dragões #476 Jul 2026 | Page 28

FUTEBOL
JUNHO JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES

O

Aston Villa veio ao Porto para o jogo de apresentação e trouxe mais do que um adversário de Premier League na bagagem. Trouxe Birmingham, Villa Park, o“ claret and blue”, uma Taça dos Campeões Europeus conquistada em 1982 e essa forma muito inglesa de parecer antigo sem parecer gasto. O FC Porto apresentou a equipa, como acontece todos os verões, mas voltou a provar que estes desafios são mais do que simples jogos. São reencontros, ensaios e cerimónias discretas de passagem. O tempo muda o sentido destas fotografias. Um lance aparentemente banal de pré-época pode acabar por guardar o encontro entre uma figura mundial e alguém ainda à procura do seu lugar, entre uma carreira plenamente consolidada e outra apenas a começar. É isso que estas páginas revelam: vencedores que chegavam com o currículo feito, jovens visitantes ainda por descobrir e jogadores do FC Porto a ensaiar os primeiros passos de um nome maior. O jogo terminou naquela noite, mas o significado da imagem continuou a crescer.
O Aston Villa deu espessura a esse novo capítulo. É um dos velhos nomes do futebol inglês, fundado ainda no século XIX, instalado no Villa Park desde 1897 e dono de uma combinação cromática que o próprio futebol tratou de transformar em herança: o grená e o azul-claro, depois copiados, reinterpretados e espalhados por outros clubes. A sua grande noite continental aconteceu em Roterdão, em 1982, quando Peter Withe marcou o golo que derrotou o Bayern Munique. Não era, portanto, um convidado qualquer, mas um clube com passado europeu a entrar numa casa que também conhece o peso e a importância desses cenários. Essa ligação não é apenas decorativa. O FC Porto construiu parte importante da sua identidade moderna nos grandes palcos internacionais e tem usado muitos destes jogos de apresentação para convocar, de forma mais ou menos explícita, essa memória europeia e intercontinental. Mónaco, Celtic e Peñarol passaram pelo Dragão com finais antigas na mala. Panathinaikos, Lyon, Villarreal e Deportivo também ajudaram a reabrir capítulos continentais,
Raúl Albiol lança-se ao relvado, mas Vincent Aboubakar mantém a bola fora do alcance e prolonga o ataque portista. Campeão mundial em 2010 e europeu em 2008 e 2012 pela Espanha, depois de se afirmar no Valência e passar quatro épocas no Real Madrid, o defesa-central representava o Nápoles quando visitou o Dragão a 8 de agosto de 2015. O jogo terminou sem golos numa noite em que o avançado camaronês colocou à prova um dos defesas mais titulados da sua geração.
28