Dragões #475 Jun 2026 | Seite 77

ANDEBOL
JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES

Nascido e criado na Invicta, Carlos Martingo teve os primeiros contactos com a modalidade no Salgueiros e representou ainda o Boavista e o Vitória de Setúbal antes de assinar pelo FC Porto. Chegado ao Dragão em 2004, com 25 anos, o central venceu um campeonato nacional, duas Taças de Portugal e duas Taças da Liga de azul e branco, e terminou a carreira de jogador no São Bernardo, em Aveiro, mas o destino encaminhálo-ia de novo para o clube do coração. Iniciou a carreira como treinador dos sub-20 em 2010 e juntou a esse cargo o de adjunto de Ljubomir Obradović, contribuindo para o quarto e quinto títulos do inédito heptacampeonato antes de se mudar para Avanca. Regressado em abril de 2018, após a saída de Lars Walther, para comandar a equipa nos últimos sete jogos da fase final do Andebol 1, passou a integrar a equipa técnica de Magnus Andersson no arranque de 2018 / 19. No banco portista, Carlos Martingo teve um papel fundamental para a conquista da primeira dobradinha da história e de quatro campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal e duas Supertaças a nível nacional, além de ter sido um dos responsáveis pelas notáveis campanhas que elevaram o nome do FC Porto na Europa. A épica vitória frente ao Magdeburgo que ditou a qualificação para a Taça EHF foi apenas o passo inicial de uma epopeia no Velho Continente que culminou com o terceiro lugar na prova em 2019, três presenças consecutivas nos oitavos de final da Liga dos Campeões – com triunfos memoráveis no reduto do campeão europeu Kiel( 2019 / 20), frente a um plantel do Aalborg que apenas seria travado pelo Barcelona na final da edição 2020 / 21 e ao Kielce, que também seria finalista em 2021 / 22. Em janeiro de 2024, embarcou numa curta aventura ao comando do Onnereds, da Suécia, mas regressou no arranque da época seguinte para acompanhar de novo Magnus Andersson na segunda passagem do treinador sueco pelo Dragão Arena. Nos dois últimos anos, o FC Porto atingiu por duas vezes os quartos de final da Liga Europeia e intensificou a aposta no talento da formação. Exemplos disso são as estreias na equipa principal de Bernardo Sousa, Miguel Oliveira, Francisco Oliveira, Pedro Salvador, Hugo Carvalho, João Magalhães e Henrique Magalhães. Além do trabalho de Dragão ao peito, Carlos Martingo esteve diretamente ligado ao desenvolvimento do andebol português enquanto selecionador das camadas jovens. Chegado à equipa nacional em 2017, para adjunto de Paulo Jorge Pereira, prosseguiu ligado à Federação enquanto treinador dos sub-18, sub-19, sub-20 e sub-21, contributo que terminará após o Europeu de sub-20 a disputar neste verão. Com 47 anos e um currículo respeitável, Carlos Martingo vê o passo como“ um privilégio” e garante que“ todos os adeptos vão gostar de ver esta equipa a jogar, pois a atitude de lutar para vencer todos os jogos será ainda mais potenciada”. Agradecido“ pela confiança depositada pelo presidente, pelo diretor das modalidades e pelo diretor da secção de andebol”, o novo homem do leme mostra-se ciente“ da responsabilidade, da exigência e da cultura de vitória que o clube tem” e de que o FC Porto“ representa também uma cidade e uma região”:“ É a partir desses pressupostos que vamos trabalhar ao máximo”. Conhecedor profundo do plantel, Carlos Martingo afirma que“ o período de adaptação não irá existir, o que é uma vantagem”, e que“ as relações serão diferentes e ainda mais aprofundadas com o decorrer da época, até porque vão entrar alguns elementos novos”.“ Tudo levará o seu tempo, mas estou convicto de que as coisas irão correr bem”, augura sobre“ uma equipa recheada de jovens portugueses de grande valor, todos eles já com bastante experiência internacional”. Convencido de que“ este será o ano de afirmação total de uma boa parte dos atletas”, o técnico espera contar com uma atmosfera confortável para o seu crescimento e apela à presença dos adeptos,“ principalmente em casa, onde são o oitavo jogador”, para o conseguir:“ Com o apoio deles, com certeza seremos muito mais fortes e uma equipa muito difícil de bater”.

UM HOMEM DA CASA
André Villas-Boas não tem dúvidas de que este“ é um passo mais do que merecido” para“ um homem da casa”,
“ uma pessoa que conhece profundamente o clube, não só os jogadores do atual plantel, mas também os de futuro, nos quais o FC Porto acredita para dar continuidade ao projeto de andebol”:“ Deu-nos muitos títulos, evidentemente na sua função anterior de treinador adjunto, com diferentes treinadores, e assume agora o papel de técnico principal, que é uma função que atinge de uma forma merecida e com um projeto que queremos sustentar, baseado no bom jogador de andebol do FC Porto, nacional e de projeção, evidentemente não descurando os reforços internacionais que são necessários, mas sobretudo partindo do conhecimento do Carlos Martingo e de toda a estrutura do FC Porto, bem como da personalidade e carácter que o jogador do FC Porto deve ter sempre presente em campo”. Na ótica do presidente,“ ser portista ajuda, porque sente o FC Porto, sofre com o FC Porto e sabe perfeitamente qual é a exigência” requerida. Seguro de que“ o portismo está sempre presente, pela forma como sofre e sente as vitórias”, algo que se quer“ propagar no tempo”, André Villas-Boas reitera que não há“ quaisquer dúvidas das competências técnicas que o treinador tem para comandar a equipa de andebol.” Agora no banco depois de ter vencido em campo, à semelhança do que havia acontecido com Fernando Sá no basquetebol e Paulo Freitas no hóquei em patins, Carlos Martingo encaixa num“ perfil muito caraterístico de jogadores que sabem o que é o FC Porto e que percebem o que esta instituição exige, não só no futebol, mas também nas modalidades”.“ Tudo passa por uma cultura de vitória que começa nos adeptos e na nossa história, que fomos construindo ao longo do tempo. O Carlos Martingo, como vestiu essa pele enquanto jogador e a veste agora enquanto treinador principal, não tenho dúvidas nenhumas de que fará com que os jogadores se transcendam em campo”, acrescenta o presidente. Mário Santos, o diretor desportivo para as modalidades, partilha a visão sobre“ um treinador que conhece bem os atletas, especialmente os mais jovens, que trabalham com ele há mais tempo”, e frisa que esta“ é uma aposta num novo ciclo, sempre com o objetivo de ganhar”, mas também de“ renovar a equipa com
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