VOLEIBOL
JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
Passou-se uma década desde que uma equipa feminina alcançou a dobradinha de voleibol em Portugal, mas pelo meio houve quem estivesse prestes a consegui-lo e até mesmo a superálo. Em época de estreia na secção, a equipa do FC Porto, em parceria com a Academia José Moreira, caminhava firme rumo ao triplete quando o mundo foi interrompido por uma pandemia. Ficou o sabor amargo de uma obra inacabada e a vontade imensa de continuar a escrever uma história que ficou incompleta, mas o círculo só se fechou esta época com a obtenção de um feito apenas à altura das melhores. À Taça de Portugal erguida em Albufeira, as portistas juntaram o troféu de campeãs nacionais conquistado com autoridade, alma e raça em Braga e alcançaram a tão desejada dobradinha.
O CAMINHO Uma primeira volta perfeita abriu caminho ao primeiro lugar da fase regular do campeonato, etapa em que as comandadas de Miguel Coelho somaram 20 triunfos em 22 jornadas, não tendo sofrido qualquer derrota no Dragão Arena. Os bons resultados garantiram o fator casa para os play-offs e, nos quartos de final, as primeiras classificadas só precisaram de dois jogos para eliminar o Vitória da corrida. Seguiu-se o Benfica e, contra todas as expectativas, as meias-finais tornaramse um osso duro de roer: sem derrotas frente às rivais da Luz na fase regular, as portistas tiveram de reverter uma dupla desvantagem na série à melhor de cinco e conseguiram carimbar o acesso à final no jogo decisivo. Numa reedição da final da Taça de Portugal, o FC Porto reencontrou o Sporting de Braga na derradeira fase do campeonato e entrou com o pé direito ao vencer o primeiro jogo pela margem máxima. O deslize no segundo encontro serviu de aviso para o que se seguia e, daí em diante, as portistas fizeram das tripas coração e não voltaram a perder qualquer set, tendo erguido o troféu no final do quarto jogo.
OS ROSTOS DA LIDERANÇA Ciente de que“ no FC Porto é preciso provar sempre mais do que todos os outros”, Miguel Coelho guiou“ uma equipa resiliente e com uma alma que não acaba” à conquista da melhor liga de sempre” para alegria de“ uns adeptos que adoram ganhar, adoram a equipa, adoram o clube e adoram a modalidade”. No desfecho de“ uma época absolutamente inesquecível”, em que o voleibol portista“ conseguiu conquistar dois títulos”, Mário Santos, diretor das modalidades, garante que o“ grande desafio” é“ preparar a equipa para repetir esses feitos no próximo ano”.“ As campeãs voltaram” e venceram dois troféus que“ representam a garra de um grupo que superou limites com vitórias construídas com suor diário e que devolveu a todos a certeza de que o FC Porto vibra com mais força quando as suas mulheres brilham assim”. Por isso, André Villas-Boas não escondeu“ o orgulho” que sente num grupo de atletas que“ viveu cada ponto com garra, cada defesa com alma portista e que se uniu num abraço coletivo de talento”.
DESTINO FINAL Cerca de 50 quilómetros separam a Arena SC Braga do Museu FC Porto, onde o troféu encontrou um lugar entre os exemplares conquistados em 2020 / 21, 2021 / 22, 2022 / 23 e 2023 / 24, confirmando a hegemonia azul e branca no panorama nacional. Os festejos começaram no Minho, mas rapidamente se estenderam ao Dragão Arena para que as novas campeãs nacionais pudessem celebrar a conquista junto do staff e das famílias. A escala seguinte seria o relvado do Estádio do Dragão, numa tarde de fortes emoções para os 50.002 adeptos presentes nas bancadas, que também festejaram a consagração dos campeões nacionais de futebol e ainda assistiram às voltas de honra dos campeões europeus
de hóquei em patins e dos vencedores da Taça de Portugal de bilhar às três tabelas. As celebrações terminaram no Museu FC Porto, onde André Villas-Boas recebeu as 14 obreiras da dobradinha azul e branca na reta final de“ uma época de sonho e de reconstrução, com muita frustração acumulada que vinha da época anterior e que o grupo conseguiu transformar em sucesso”. Lado a lado com o presidente e acabado de renovar contrato até 2028, Miguel Coelho assegurou que“ o FC Porto está mais vivo e mais forte do que nunca” e que o“ sucesso recente do clube fez com que o plantel de voleibol conseguisse ganhar mais um título” numa altura em que“ a vitalidade do FC Porto está á vista e em que há cada vez mais sócios e equipas a jogar em estádios e pavilhões cheios”.“ Somos vencedores do campeonato e da Taça de Portugal com muito trabalho, paixão e amor pelo que fazemos”, concluiu o treinador de“ um grupo de supermulheres”.
A conquista do título nacional confirmou a superioridade da equipa feminina de voleibol do FC Porto, campeã pela qualidade do jogo, pela força do grupo e pela consistência demonstrada ao longo da época.
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