Dragões #475 Jun 2026 | Page 51

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JUNHO 2026 REVISTA DRAGÕES
O troféu dava brilho ao cenário, mas o discurso olhou para além dele. Em Monção, André Villas-Boas falou de conquista, pertença e do FC Porto que se constrói com todos.
O número 2, quadro oferecido a André Villas- Boas, voltou a dizer muito mais do que um número. Memória, caráter, Jorge Costa, João Pinto e a alma competitiva do FC Porto.

O presidente começou por sublinhar precisamente esse simbolismo. A Casa FC Porto – Monção, fundada há um quarto de século e distinguida em 2007 com o Dragão de Ouro, é“ a única entre os três grandes” no concelho, uma condição que, para Villas-Boas,“ muito distingue” e“ muito eleva” os azuis e brancos. Numa intervenção marcada pelo elogio ao trabalho do presidente António Simões e de todos os que ajudaram a erguer a presença portista na região, o líder dos Dragões falou de“ uma noite maravilhosa” e de uma celebração que mostra“ o pleno portismo do que é a expansão do FC Porto a Norte”. O tom foi também de cumplicidade com Monção e com António Barbosa, o presidente da Câmara Municipal. Depois de ouvir o autarca assumir a simpatia pelo FC Porto, Villas-Boas brincou com a abertura do“ Departamento de Conversões do FC Porto”, mas logo levou a ideia para um terreno mais profundo: a afirmação do Norte, a identidade regional e a capacidade de o clube chegar onde há portistas prontos a transformar distância em pertença.“ Isto é reforço portista, é o nosso amor pelo azul e branco”, resumiu. A visita serviu igualmente para medir o pulso ao crescimento do clube. André Villas-Boas destacou a“ explosão de sócios” e o crescimento associativo de 20 % desde 2024, uma dinâmica que atribuiu à união em torno do FC Porto, à transformação digital e ao entusiasmo gerado pelas conquistas recentes.“ Para nós isto é um passo fundamental. O FC Porto deve continuar a crescer associativa,

económica e desportivamente”, afirmou, lembrando também que o Estádio do Dragão foi o recinto com maior afluência da última época e que a melhoria da experiência dos adeptos continua no centro das preocupações. O título nacional de futebol atravessou todo o discurso como uma corrente de fundo. Villas- Boas recordou que o cachecol“ Seguimos Juntos” se transformou em“ Conseguimos Juntos” e sublinhou que a conquista devolveu o FC Porto ao lugar“ de onde nunca deve sair”. Mais do que olhar para trás, o presidente apontou ao que vem a seguir:“ O objetivo é que o FC Porto nunca mais largue o primeiro lugar e o propague ao longo do tempo, de forma a entregar sempre alegria aos adeptos.” À margem da cerimónia, o mercado também entrou na conversa. Villas-Boas garantiu que“ tudo tem corrido dentro do plano”, que“ a equipa está bem construída” e que existe“ uma boa base e uma base sólida” para atacar a nova época. Sobre André Silva, falou num“ regresso a casa” de alguém que“ conhece o FC Porto como ninguém”, sabe“ o que é a exigência dos adeptos” e tinha“ muito desejo de voltar”. Quanto a nomes colocados na órbita azul e branca, o presidente foi prudente: o clube trabalha“ no background”, de forma silenciosa e em plena concordância com a equipa técnica. Houve ainda espaço para responder a Frederico Varandas, com Villas-Boas a classificar como“ comentários infelizes” as insinuações sobre arbitragens e como“ um absurdo da criatividade do presidente do Sporting” o alegado envolvimento do FC Porto em movimentações relacionadas com jogadores leoninos.“ Temos mais o que fazer do que conspirar contra transferências dos jogadores do Sporting”, vincou. Num registo mais institucional, André Villas- Boas saudou a aprovação da chave de repartição dos direitos televisivos, que considerou“ um passo decisivo na construção do bom futuro do futebol português”, mas avisou que o trabalho não termina aí. Infraestruturas, licenciamento, VAR, presença de público nos estádios e valorização do produto foram apontados como desafios imediatos. O momento mais simbólico da noite chegou com a oferta de um quadro com o número 2, que o presidente prometeu levar para o Museu FC Porto e, depois, aproximar dos seus escritórios. O número de João Pinto e Jorge Costa foi descrito como“ alma portista, sangue, suor e lágrimas”, retrato de“ um povo que resiste, que luta, que vence, que subsiste, que tem exigência, que quer ganhar sempre”. Em Monção, entre memória e futuro, Villas-Boas voltou a repetir a fórmula da época que devolveu o FC Porto ao topo:“ Conseguimos juntos, seguimos juntos novamente, até mais um.”
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