ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
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AFS 3-1 FC PORTO 10 DE MAIO DE 2024 ESTÁDIO DO CD AVES
1-0, RONI( 23’) 1-1, DENIZ GÜL( 53’) 2-1, RONI( 58’) 3-1, ADERLLAN SANTOS( 80’)
O FC Porto apresentou-se na Vila das Aves com o título nacional no bolso e várias alterações no onze, sinal evidente de uma equipa já campeã, obrigada a gerir pernas, minutos e horizontes. Mas o futebol, esse velho funcionário da realidade, não costuma carimbar vitórias por decreto. Os campeões nacionais perderam com o AFS num jogo em que a coroa já não estava em causa, mas a exigência continuava sentada à mesa. E quando a exigência fica sem resposta, mesmo num fim de época de festa, o resultado deixa de ser apenas um tropeção e passa a ser um aviso. Francesco Farioli não procurou dourar a pílula. Admitiu que“ a exibição não foi a melhor”, embora tenha sublinhado que ainda assim era“ suficiente para conseguir vencer”. A frase diz muito sobre a tarde, porque o FC Porto teve momentos, teve argumentos, teve matéria para outro desfecho, mas faltou-lhe continuidade, limpeza e a precisão que separa a intenção da consequência. O onze diferente explica parte do contexto, mas não absolve a noite. A camisola podia estar em modo gestão, mas nunca em modo pausa. O golo de Deniz Gül ainda abriu uma janela para outro final. O avançado voltou a deixar marca, a lembrar que há nomes a pedir futuro mesmo quando o presente tropeça, mas o AFS foi mais eficaz, castigou melhor os espaços e transformou o que podia ter sido apenas mais uma escala no caminho dos campeões numa pedra no sapato. O treinador preferiu ler o jogo como sinal, não como sentença.“ Este desfecho deve ser um lembrete para o próximo jogo e para a próxima época”, afirmou, apontando já ao que faltava e ao que vem aí, porque uma equipa campeã também se mede na forma como reage quando a festa baixa o volume. O campeonato foi conquistado, mas havia ainda objetivos por cumprir, entre eles chegar aos 91 pontos, marca que Farioli fez questão de retificar:“ Agora há que seguir em frente e tentar chegar.” Borja Sainz seguiu a mesma linha, com a franqueza de quem sabe que o jogo não fugiu por ausência de intenção.“ A equipa jogou para ganhar, como sempre”, garantiu o extremo, antes de identificar a ferida principal:“ Faltou algum acerto no ataque”. E faltou, de facto, aquele último toque que tantas vezes resolveu jogos ao longo da época. Desta vez, a bola não quis obedecer com a mesma pontualidade. No fim, ficou uma derrota sem dano naquilo que já estava escrito, mas com incómodo suficiente para não ser ignorada.
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O FC Porto entrou em campo já campeão, mas ainda com uma obrigação antiga pela frente, a de ganhar mesmo quando a festa parece querer começar antes do jogo. Contra o Santa Clara, na última jornada da liga, não houve recital, nem fogo de artifício antes de tempo, nem uma tarde em que a bola obedecesse por aclamação popular. Houve seriedade, paciência e uma vitória curta e discreta, antes de a noite entregar a cidade aos campeões. O 1-0 nasceu aos 69 minutos, num cruzamento de Victor Froholdt que Sidney Lima desviou para a própria baliza. Não será o golo mais bonito da caminhada, nem aquele que entrará primeiro no álbum sentimental do
FC PORTO 1-0 SANTA CLARA 16 DE MAIO DE 2026 ESTÁDIO DO DRAGÃO
1-0, SIDNEY LIMA( 69’)( AG)
título, mas os campeonatos também se fazem destes episódios aparentemente pequenos, insistências que obrigam ao erro, tardes em que o mérito não aparece vestido de gala, mas com fato de trabalho. Na tarde da consagração, o último golo portista no campeonato não teve assinatura azul e branca, mas teve sentido competitivo. O Santa Clara resistiu quanto pôde, organizado o suficiente para impedir que o Dragão transformasse a celebração em goleada. O FC Porto procurou zonas de decisão, rondou a área, insistiu e voltou a fazer aquilo que tantas vezes fez ao longo do campeonato: manteve o controlo emocional, não confundiu ansiedade com pressa e empurrou o jogo até ele ceder. A época fechou com 88 pontos, 28 vitórias e apenas duas derrotas. Números redondos, mas não redondinhos, com arestas, viagens, jogos de nervo e semanas em que a equipa teve de jogar mais do que descansar. Francesco Farioli chamou-lhe uma antecipação da festa. Foi isso, mas foi também a última prova de uma equipa que respeitou o campeonato até ao fim. O FC Porto já era campeão antes do apito inicial. Depois dele, era campeão com mais três pontos, com a casa cheia de orgulho e com a certeza de que a obra vinha de trás, construída desde a primeira jornada, ponto a ponto, até a liderança deixar de ser circunstância para se tornar hábito.
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