Dragões #474 Mai 2026 | Page 69

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES

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FC PORTO 2-0 TONDELA 19 DE ABRIL DE 2026 ESTÁDIO DO DRAGÃO
1-0, GABRI VEIGA( 48’) 2-0, VICTOR FROHOLDT( 65’)
A quatro jornadas do fim, a classificação começava a ganhar o peso específico das coisas sérias. O FC Porto venceu o Tondela no Estádio do Dragão, reforçou a liderança e alargou a diferença para sete e oito pontos sobre os rivais de Lisboa. Gabri Veiga e Victor Froholdt apontaram os golos de uma noite menos ruidosa do que decisiva, daquelas em que o brilho não precisou de excessos para deixar marca. Francesco Farioli chamou-lhe“ batalha tática” e a expressão assenta bem num jogo que exigiu paciência, disciplina e um sentido coletivo sem vaidades.“ Nesta fase são só mais três pontos e menos um jogo”, lembrou o treinador, feliz pelo resultado e fiel ao guião que tem repetido sem ceder à euforia: concentração máxima, passos firmes. A vantagem cresceu, mas o discurso continuava a ser o de quem sabe que os campeonatos não se ganham com contas feitas à pressa, apenas com a capacidade de repetir níveis altos quando as pernas pesam e a meta se aproxima.
Também por isso soou certeira a resposta de Gabri Veiga, seco e focado, quando lhe perguntaram pelo dérbi da capital:“ Não sei nem quero saber.” O camisola 10, eleito MVP da Liga, não perdeu tempo com distrações nem geografia alheia. Ignorou a vitória do Benfica em Alvalade e falou das quatro jornadas que faltavam. Deniz Gül insistiu na mesma mensagem, sublinhando a importância da vitória, a serenidade da equipa, o trabalho diário no Olival. Nada de stress, nada de desvios ao essencial.

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ESTRELA DA AMADORA 1-2 FC PORTO 26 DE ABRIL DE 2026 ESTÁDIO JOSÉ GOMES
0-1, DENIZ GÜL( 17’) 0-2, DENIZ GÜL( 37’) 1-2, JOVANE CABRAL( 79’)
O título já era uma mera questão de aritmética, mas Francesco Farioli continuava a pedir que ninguém lhe servisse champanhe antes da sobremesa. Na Reboleira, o FC Porto venceu o Estrela da Amadora por 2-1, somou a 26.ª vitória em 31 jornadas da liga e ficou a uma vitória de transformar a liderança em título, essa distância mínima e imensa que separa o quase do para sempre. A tarde teve Deniz Gül como protagonista, a tabela mais azul do que na véspera e uma evidência difícil de contrariar: o FC Porto ficava uma vitória mais perto do objetivo. Chegou aos 82 pontos, manteve sete de vantagem sobre o Benfica e passou a ter dez sobre o Sporting, ainda com um jogo em atraso. O campeonato, essa prova de resistência, ia estreitando o corredor final e o Dragão continuava na frente desde o primeiro sopro da época. Na Amadora, porém, não houve proclamações, nem danças em cima da aritmética. Houve futebol suficiente para ganhar, inspiração bastante para decidir e uma segunda parte menos autoritária do que a primeira, como Deniz Gül reconheceu com simplicidade.“ É sempre importante marcar golos, mas o mais importante é ganhar os jogos”, disse o sueco, muito feliz por ter bisado, muito grato, mas já com o discurso amarrado ao próximo obstáculo. Farioli seguiu a mesma partitura. O título estava cada vez mais perto, mas o treinador italiano preferiu falar do Alverca, dos nove pontos ainda em disputa e da necessidade de continuar ligado ao presente.“ O passado é passado”, resumiu. O FC Porto fazia“ uma época muito boa”, nas palavras do treinador, e a classificação não desmentia, mas Farioli sabia bem que os campeonatos também se perdem nos minutos em que se começam a festejar antes do tempo. Por isso, na Reboleira,“ não houve qualquer celebração a não ser a celebração de mais uma vitória”. Uma frase sem serpentinas, mas com muito método lá dentro. E enquanto a equipa somava pontos, o ruído tentava somar versões. Rumores, ecos, suposições e esse velho ofício de transformar o banco do FC Porto num mercado ao ar livre sopravam sobre o interesse do Chelsea no técnico italiano. Farioli fechou a porta sem teatralidade:“ Sou o treinador do FC Porto e estou feliz por estar aqui.” Bastou.
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