Dragões #472 Mar 2026 | Page 60

VOLEIBOL
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES

A fibra de que se faz uma equipa

Ganhar é importante. Saber blindar quem ajuda a ganhar é ainda melhor. Foi isso que o FC Porto fez ao renovar com Saška Đurović, Milana Božić e Natalia Murek, três rostos maiores de uma equipa que já ergueu a Taça de Portugal e não dá sinais de querer abrandar.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
A FORÇA
Saška Đurović chegou ao Porto com currículo, impacto e uma meta traçada sem rodeios. Depois de uma época de afirmação no voleibol português, distinguindo-se como uma das principais figuras do Sporting, a central montenegrina trocou Alvalade pelo Dragão Arena com o objetivo assumido de ser campeã nacional. A aposta não foi tímida nem prudente. Foi frontal, como o voleibol que joga, feito de presença na rede, serviço agressivo e personalidade. Natural de Podgorica, formada entre o Montenegro e a Sérvia, profissional desde muito jovem, com passagens por França e por vários contextos competitivos exigentes, Saška encontrou no FC Porto o palco certo para dar sequência a essa fome. Desde que chegou, tornou-se uma das protagonistas de uma equipa que foi ganhando corpo ao longo da época e que se apresenta na fase decisiva com razões sólidas para acreditar. A renovação surge, por isso, com naturalidade, mas também com significado: o clube quis segurar uma jogadora importante e a jogadora quis continuar exatamente onde sente que pode cumprir aquilo a que se propôs. A frase que melhor resume essa ligação é também a mais reveladora da fibra competitiva de Saška:“ Foi por isso que vim para o FC Porto e luto por esse objetivo todos os dias nos treinos.” Não há adorno inútil nesta declaração. Há foco, exigência e uma linha reta entre a escolha e a ambição. Pelo meio, fala ainda de“ família”, de uma casa nova encontrada depressa e de uma certeza que quase parece lema pessoal – como já tinha dito em entrevista à DRAGÕES, o azul é, de facto, a cor perfeita para ela.
A CABEÇA
Num jogo que vive tanto da execução como da leitura, Milana Božić tornou-se rapidamente uma peça central do voleibol portista. Distribuidora bósnia, viajada, experiente, moldada em diferentes campeonatos e culturas competitivas, chegou no verão de 2025 e não demorou a tomar conta do ritmo da equipa. Titular na esmagadora maioria dos encontros, a mais utilizada na posição por Miguel Coelho, trouxe critério, serenidade e uma espécie de lucidez silenciosa que tantas vezes faz a diferença onde o jogo realmente se decide. O percurso fala por ela. Melhor distribuidora da liga sérvia em 2020 / 21, internacional bósnia em Europeus e na Golden League, Milana construiu carreira entre sete países e dois continentes antes de aterrar em Portugal. Em poucos meses, tornouse uma referência de equilíbrio numa equipa que terminou a fase regular no topo e chegou à reta final da temporada
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