Dragões #472 Mar 2026 | Page 49

FUTEBOL
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES
outros. Aqui não basta dar o litro, temos de dar todos os litros que tivermos e estar no nosso máximo todos os dias, seja antes do treino, depois ou nas folgas. Ser jogadora do FC Porto é um compromisso de todos os dias da semana, de todas as horas do dia, de todos os minutos de cada hora e de todos os segundos desses minutos.
Ter tantas portistas na equipa ajuda a passar essa mensagem a quem vem de fora? Nós, que sempre fomos portistas, tivemos outra forma de ver as coisas porque já sabíamos o que era o FC Porto, mas quem vem de fora tem a obrigação de aprender rapidamente. Não há período de adaptação. É preciso perceber onde estamos desde o primeiro dia e nós tentamos passar essa mensagem da melhor forma. O FC Porto está acima de todas as coisas e quem joga aqui tem de fazer de tudo pelo bem do clube. As nossas atletas norte-americanas são um bom exemplo disso, porque ainda antes de saberem ter uma conversa já sabiam o hino do FC Porto e isso demonstra a vontade que têm de aprender e de mostrar que estão connosco para o que der e vier. Aqui funciona assim e eu faço questão de lhes dizer sempre que até podem não saber dizer mais nenhuma palavra em português, mas as palavras do hino são obrigatórias no vocabulário de toda a equipa.
Esta é uma equipa à Porto? Sem dúvida, e acho que isso tem sido demonstrado dentro de campo ao longo da temporada. Somos muito resilientes, temos bons resultados e estamos num bom caminho.
Como é que têm gerido as emoções antes do clássico no Jamor? Temos de desfrutar do momento. Nunca me permiti sonhar com uma ida ao Jamor, porque nunca imaginei que fosse acontecer nesta época, por isso não faço ideia do que se sente. Não tinha qualquer expectativa e agora, de um dia para o outro, estou prestes a vivenciá-lo. Temos de aproveitar o momento, acima de tudo, porque sabemos que vai ser um jogo difícil. Somos muito realistas nesse aspeto, mas o mais importante é estarmos todas juntas e termos os adeptos connosco. Neste momento, ver o Jamor pintado de azul e branco é o meu sonho.
É possível fazer frente às campeãs nacionais? Vamos defrontar uma equipa de Champions e este é apenas o segundo ano do nosso projeto. Sabemos que elas já têm muita história escrita e que nós só agora estamos a começar a escrever a nossa, mas não pensamos muito nisso.
Estamos focadas na caminhada que nos levou até ao Jamor. Claro que conhecemos o adversário e sabemos quais são os pontos fortes e fracos, mas estamos focadas em nós próprias e em dar tudo umas pelas outras, porque só assim é que poderemos triunfar. Se eu errar, sei que vai haver uma colega a ajudar-me e a empurrar-me para a frente e esta união é que nos tira o peso de cima dos ombros. Acima de tudo, queremos aproveitar o momento.
O que podemos esperar da Ema Gonçalves? Podem esperar a mesma Ema que viram até agora, uma jogadora que nunca desiste, que vai atrás do sucesso todos os dias e que, mesmo quando as coisas não estão favoráveis, continua a querer ainda mais.
Depois de jogar no Dragão e de garantir um lugar no Jamor, ainda há sonhos por concretizar? É difícil, porque neste clube não há limites para sonhar. Nunca imaginei que chegássemos ao Jamor neste ano e em maio vamos disputar a final da Taça, por isso tudo é possível. Gosto de esperar para ver e tenho a certeza de que, venha o que vier, só pode ser espetacular.
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