Dragões #472 Mar 2026 | Page 30

LIGA EUROPA
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES

DRAGÃO NO RETROVISOR

Foi aqui que Vítor Pereira deixou de ser apenas uma promessa de treinador para passar a ser um nome inscrito na história azul e branca. Primeiro como adjunto na época irrepetível de 2010 / 11, depois como técnico principal de uma equipa que somou títulos e consolidou a sua assinatura. O destino devolve-o agora ao Estádio do Dragão, onde foi feliz e campeão, mas na qualidade de adversário, para um reencontro carregado de história.
TEXTO de MANUEL T. PÉREZ

Depois de Nuno Espírito Santo, Ange Postecoglou e Sean Dyche, Vítor Pereira é o quarto treinador do Nottingham Forest em 2025 / 26. Nascido há 57 anos no Bairro da Mata, em Espinho, teve uma modesta carreira como futebolista ao serviço de emblemas locais – como o Sporting de Espinho, a Avanca, a Oliveirense, o Esmoriz, o Estarreja, o Fiães, o São João de Ver ou o Lobão – e, por isso, nunca descurou os estudos e inscreveu-se na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto. Foi aí que conheceu Vítor Frade, professor de Teoria de Metodologia de Treino Desportivo e na especialização em futebol. De acordo com o ideólogo da periodização tática, um método de trabalho segundo o qual“ os jogadores são livres para agir, mas não podem agir livremente”, a primeira dessas cadeiras“ era uma grande estafa”, mas Vítor Pereira nunca faltou.

Cinco anos depois de entrar no FCDEF, concluiu a licenciatura em Educação Física com uma média de 19 valores e iniciou a carreira de treinador enquanto adjunto de José Guilherme no Esmoriz. Seguiram-se duas curtas passagens pelo Gondomar e Arrifanense antes de Vítor Frade o trazer para os escalões de formação do FC Porto, onde se manteve até receber um convite da Sanjoanense para substituir Luís Castro. Apenas um ano volvido, em 2005, comprometeu-se com o clube da terra durante duas épocas. Após mais uma curta passagem pelo futebol de formação portista, rumou aos Açores e ficou muito perto de guiar o Santa Clara à Primeira Divisão, mas falhou a subida na última jornada em duas ocasiões e acabou por regressar ao FC Porto. Na temporada de 2010 / 11, juntou-se à equipa técnica do FC Porto que viria a conquistar os quatro principais títulos em disputa: sob o comando de André
Villas-Boas, os Dragões começaram por vencer a Supertaça ao Benfica, sagraramse campeões nacionais no Estádio da Luz e sem qualquer derrota, ergueram o troféu da Liga Europa em Dublin e completaram o ramalhete com uma goleada na final da Taça de Portugal. No verão, Vítor Pereira foi promovido a técnico principal e os portistas festejaram mais duas Supertaças e mais dois títulos nacionais com o antigo assistente no banco, que acabou por ser distinguido como o melhor treinador da liga em 2011 / 12 e 2012 / 13. Terminado o ciclo na Invicta, Vítor Pereira aventurou-se no estrangeiro pela primeira vez e ainda teve uma curta passagem pelo futebol saudita antes de assinar pelo Olympiacos. Com o campeonato e a Taça da Grécia na bagagem, mudou-se para a Turquia, tendo orientado o Fenerbahçe em 2015 / 16 e no início da época seguinte, que viria a concluir na Alemanha, ao leme do 1860 Munique. Em 2018 voltou
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