VOLEIBOL
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
O talento abre portas e o de Saška Đurović não precisou de bater duas vezes. Chegada a Portugal pela mão do Sporting, não tardou a conquistar um lugar à mesa do voleibol nacional e, menos de um ano depois, deu um salto de fé rumo à Invicta para iniciar um novo capítulo. No Porto encontrou um lar a mais de três mil quilómetros de casa e no Dragão Arena um balneário multicultural, onde as diferentes línguas se entendem em prol de um único objetivo: conquistar o tão desejado título.
O que a levou a trocar o Sporting pelo FC Porto? Não foi uma decisão fácil, mas percebi a ambição que este clube tem e achei que estava a escolher o melhor para mim, especialmente nesta fase da minha carreira.
Como é que os adeptos a receberam? Ficaram muito felizes por eu vir para o FC Porto. Recebi várias mensagens e foram todas muito positivas.
A adaptação foi fácil? São dois clubes completamente diferentes. No FC Porto não há voleibol masculino e isso vê-se na presença dos adeptos nos nossos jogos. Além disso, como temos tido bons resultados, não nos falta apoio e essa é a principal diferença.
O que sentiu quando vestiu a camisola azul e branca pela primeira vez? Eu amo azul e acho que é a cor perfeita para mim, mas devo confessar que no princípio foi algo estranho. Estava habituada a entrar neste pavilhão para jogar contra o FC Porto, mas agora faço parte deste clube. Confesso que foi esquisito, mas ambientei-me rapidamente.
Como eram os jogos contra o FC Porto? Sempre me disseram que o FC Porto era um bom clube e que tinha conquistado vários títulos, então sentíamos sempre uma tensão quando jogávamos no Dragão Arena. Além disso, na altura os portistas não gostavam muito de mim [ risos ], mas agora isso mudou e o sentimento é completamente diferente.
O FC Porto é um clube diferente dos outros? Sem dúvida. Para mim, é o melhor clube da liga portuguesa e nós fazemos questão de o demonstrar em todos os jogos. Claro que a derradeira prova só surge no final da época, mas estamos num bom caminho. Além disso, amo a energia familiar deste clube. Já me tinham dito que ia sentir isto, mas só o percebi quando aqui cheguei. Somos como uma família, toda a gente está sempre disponível para ajudar e estas pessoas já têm um lugar guardado no meu coração.
Jogou no Estrela Vermelha. A paixão dos portistas é comparável à dos sérvios? Os adeptos do Estrela Vermelha são mais aguerridos e“ loucos”, mas também apoiam mais o futebol. Nós não sentíamos tanto o apoio deles no voleibol feminino. Aqui o cenário é muito diferente.
Já se sente portista? Claro. Adoro ver os jogos das outras modalidades. Em casa tenho sempre a televisão ligada no Porto Canal e, quando não tenho a oportunidade de ir ao Estádio do Dragão ou ao Dragão Arena, vejo a transmissão televisiva.
No Porto encontrou um novo lar? Amo a cidade do Porto, tem uma alma maior do que Lisboa e faz-me sentir em casa. Gosto mais de morar aqui, até porque tenho duas companheiras de equipa balcânicas que tornam tudo mais fácil. Gosto de me sentir em casa e aqui sei que toda a gente está disposta a ajudar-me a qualquer momento. Isso é um aspeto muito importante para mim quando escolho um clube.
Quais são os seus refúgios na cidade? Adoro a Ribeira e qualquer restaurante portuense. Sou apaixonada pela gastronomia portuguesa, especialmente por francesinhas, mas não posso comer todos os dias, infelizmente.
Qual é o melhor restaurante para comer francesinha? É uma pergunta difícil. Já fiz sondagens no Instagram e tive várias recomendações, mas ainda não cheguei a um veredito. Preciso da ajuda dos portistas.
Quando vamos ouvi-la a falar português? Fiz uma aposta e prometi que no final da temporada já ia saber falar, mas é difícil. Estou sempre a imitar as minhas colegas para tentar aprender e até já sei algumas palavras, mas ainda não sei falar português.
Como é o ambiente no balneário? É uma animação. Costumo ficar perto da Milana Božić e da Mika Grbavica, porque falamos a mesma língua e somos mais próximas, mas também convivo muito com a Shainah Joseph. Ela é muito divertida e puxa-nos
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