Dragões #471 Fev 2026 | Page 53

FUTEBOL
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES ser portista é ser diferente e está-nos no sangue. Crescemos a ter esta alma.
A paixão pelo futebol também nasceu na condição de adepta? Andei na dança, na natação e no voleibol antes de experimentar o futebol. O meu pai era jogador a nível amador e, enquanto ele estava em campo, eu pedia uma bola para dar uns toques. Foi assim que cresceu a minha paixão pelo futebol. A minha mãe queria uma filha bailarina, mas saiu-lhe uma jogadora da bola.
O futebol é cada vez mais um desporto para meninas? Antes não havia tantas mulheres a jogar futebol, porque também não havia tantas condições, mas agora há cada vez mais. O futebol é um desporto para todos.
Que idade tinha quando começou a jogar? Tinha oito anos. Comecei no Progresso e depois fui acompanhando o percurso do meu pai enquanto treinador e ia atrás dele para os clubes que ele orientava. Joguei em equipas mistas até aos 12 anos e só depois fui para uma equipa feminina.
Tendo em conta a evolução do futebol feminino, ainda faz sentido começar num contexto misto? Na minha altura, as meninas começavam a jogar mais tarde e não tinham as mesmas aptidões físicas. Ao começar no meio dos rapazes acabei por ter contacto com essa realidade desportiva mais cedo, porque a maioria deles já jogava desde os cinco ou seis anos, o que permitiu que eu explorasse as minhas capacidades físicas e evoluísse na agressividade e na tomada de decisão. Agora o panorama é diferente e os clubes estão mais preparados para ajudar as atletas a atingir um patamar mais alto com sucesso.
O FC Porto é um desses clubes? Sem dúvida. A minha irmã joga na formação e tenho a oportunidade de a acompanhar de perto. É muito interessante analisar a quantidade de treinos que têm por semana e o número de pessoas que trabalham para que elas possam melhorar a todos os níveis, desde o departamento de nutrição ao de alto rendimento. O FC Porto cria condições para que estas meninas cresçam e continuem a sonhar.
Como é que descreve o seu percurso antes de chegar ao FC Porto? Comecei a jogar porque o desporto era importante para a saúde, mas ganhei gosto pela vitória. Percebi que se trabalhasse muito ia chegar mais longe e foi assim que comecei a receber convites de vários clubes. Saí da minha zona de conforto muitas vezes com o intuito de crescer e de ser a minha melhor versão. Foi isso que me fez chegar até aqui.
Ainda se lembra do dia em que recebeu o convite? Estava de férias e esse período costuma ser mais complicado, porque há decisões por tomar. Inicialmente não acreditei, achei que estavam a brincar ou que se tinham enganado na pessoa. Só mais tarde é que percebi que isto estava mesmo a acontecer. Nem nos meus melhores sonhos imaginei que fosse possível jogar no meu clube do coração.
Era o passo certo? Sem dúvida. O Porto quando entra numa competição é para ganhar. Alguém tinha de lapidar esta pedra. Foi um ano muito importante para bebermos um bocadinho do que é ser Porto e colhermos os frutos disso.
O que sentiu ao jogar no Estádio do Dragão? Nenhuma de nós imaginou que fosse possível ter 31.093 espectadores ou bater o recorde de assistência. Lembrome de olharmos umas para as outras e pensarmos que era bom demais para ser verdade. O jogo foi espetacular. Houve momentos em que já não tinha forças, mas obrigava-me a correr, porque tinha o público a puxar por mim. Foi um ambiente espetacular.
A seleção conseguiu superar o vosso recorde meses depois, também no Estádio do Dragão. Acha que o futebol feminino fazia mais falta
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