CLUBE
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
O PRESIDENTE DOS IMPOSSÍVEIS
Quando se fala de troféus, a lista impressiona. Quando se fala de impacto, a lista não chega. Pinto da Costa pegou num clube e entregou-lhe o mundo: títulos europeus, títulos mundiais, hegemonia interna e uma cultura que atravessou treinadores e gerações. Há um antes e um depois gravados a fogo no emblema.
TEXTO de MANUEL T. PÉREZ
Às primeiras horas da noite do dia 15 de fevereiro de 2025, um sábado de inverno na cidade Invicta, era noticiada a morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, o“ Presidente dos Presidentes”. O mais vitorioso e longevo dirigente da história do futebol mundial faleceu com 87 anos de idade e 71 de associado, após mais de seis décadas nos órgãos sociais e de 42 anos na liderança da instituição que elevou como ninguém. Para trás deixou um legado único que orgulha toda a nação azul e branca. Nascido em Cedofeita, às 6h10 da manhã de 28 de dezembro de 1937, o dia dos Santos Inocentes, o quarto filho de
José Alexandrino Teixeira da Costa e de Maria Elisa Bessa de Lima Amorim Pinto começou a seguir o FC Porto guiado pela mão do tio Armando, antigo presidente do Famalicão que o levou a ver um jogo contra o Sporting de Braga no Campo da Constituição. O menino de oito anos pouco ou nada viu, mas nunca esqueceu o que sentiu. No penúltimo dia de 1953, acabado de completar 16 primaveras, a avó Alice inscreve-o como sócio do clube. Três anos mais tarde, o irreverente Jorge Nuno contraria a vontade da mãe e interrompe os estudos no final do liceu. Sem ingressar no ensino superior, pega no diploma do sétimo ano e começa logo a trabalhar – primeiro num banco, a seguir como vendedor de produtos químicos e depois numa empresa de eletrodomésticos. A conversa que mudou a história do desporto surgiu em 1958. O presidente Cesário Bonito convida-o para ser vogal do hóquei em patins e é nesse papel que acompanha o emblema do coração rumo a Torres Vedras, onde, no ano seguinte, festeja o título que nem Inocêncio Calabote conseguiu impedir. A partir daí nada foi igual. Acabou promovido a chefe da secção três anos depois, função que acumula com a de responsável pelo hóquei em campo,
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