Dragões #470 Jan 2026 | Page 69

ANDEBOL
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ Podes trabalhar muito e estar pronto fisicamente, mas qualquer pancada ou queda pode tirar-te do campo durante muitos meses.” quem também me cruzei aqui no FC Porto, e deram muito bem conta do recado.
Foi campeão europeu de sub-20, mas ainda não recebeu a chamada à seleção principal. Numa altura em que o andebol português tem cada vez mais visibilidade, tem o objetivo de ir ao Mundial de 2027 que se realiza precisamente daqui a um ano? É muito complicado, mas é um sonho jogar por Espanha. Já fui internacional nas camadas jovens e claro que gostava de ser chamado, mas há jogadores muito bons e eu tenho de continuar a trabalhar e a melhorar aqui no FC Porto para os resultados chegarem.
Quem ficou por cá, continuou a trabalhar. Qual é o plano para este mês? É importante colocar carga, fazer muitos treinos de ginásio e de corrida porque os jogadores que estiveram no Europeu vão voltar com muito ritmo e nós não podemos perder esse ritmo.
A nível individual, foi um período benéfico para reforçar os índices físicos e prevenir lesões? Foi muito importante. Muitas vezes, a causa das lesões não é não termos trabalhado, é injusto, mas temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, continuar a trabalhar e fazer muito ginásio, que é importante.
Tem sido fustigado por lesões. A mais grave foi em setembro de 2024, quando teve de ser operado ao joelho e ficou de fora durante meio ano. É duro ter de parar e começar tudo de novo? Obviamente que ninguém gosta de ficar de fora, ainda por cima durante tanto tempo. Têm sido épocas muito complicadas, mas cresci muito como pessoa, estou muito agradecido ao trabalho que o preparador físico e os fisioterapeutas têm feito connosco, estão sempre a fazer horas extra para nos ajudar. Agora tenho de tentar não voltar a passar por isso, quero dar por terminado este período de lesões e continuar a trabalhar no que mais gosto, que é jogar andebol.
Como ultrapassou esses momentos difíceis? A parte mental ainda é mais importante do que a física. Tive de me apoiar na minha família, nos meus colegas, nos fisioterapeutas e no preparador físico. Nestas recuperações a lesões que duram três ou quatro meses, é preciso saber que o objetivo é voltar o mais forte possível e continuar a trabalhar sempre.
Esse fortalecimento mental fá-lo agora ser um melhor jogador? Ajuda muito. Claro que ninguém quer passar por isso, mas quando acontece há que mudar o chip e melhorar enquanto pessoa e jogador.
A que sabe voltar ao campo depois de tantos meses parado? É uma sensação de muitos nervos, mas é fazer o que gostas e o que anseias há muitos meses. É uma sensação incrível, ainda para mais aqui, no Dragão Arena. É uma das melhores sensações que um jogador pode ter.
A equipa tem sofrido muito com lesões, o último caso foi o do Rêma … O desporto é muitas vezes injusto. Podes trabalhar muito e estar pronto fisicamente, mas qualquer pancada ou queda pode tirar-te do campo durante muitos meses. O desporto é assim e há que seguir sempre em frente.
O trabalho de prevenção dessas lesões é agora ainda mais uma prioridade no dia a dia? Não só aqui no Dragão, mas também quando vamos jogar fora. Tens de saber cuidar-te ao nível da alimentação, das horas de sono, tudo isso é muito importante. Se queres estar ao mais alto nível, tens que estar focado 24 horas por dia, ainda para mais nesta paragem em que temos de aumentar o ritmo.
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