Dragões #470 Jan 2026 | Page 57

HÓQUEI EM PATINS
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES

Num abrir e fechar de olhos, os adeptos do FC Porto viram Gonçalo Alves crescer sobre patins até à condição de um dos mais experientes e titulados hoquistas do mundo. Volvidos 11 anos desde a chegada do 77 ao Dragão Arena, o internacional português é o capitão e um dos principais goleadores do plantel bicampeão nacional. A última conversa à DRAGÕES foi há pouco mais de dois anos, na qual o tema da braçadeira ainda era novidade. Agora, Gonçalo Alves garante que continua“ o mesmo de sempre”.“ É um orgulho muito grande poder ser capitão da minha equipa de coração e capitanear este plantel é fantástico. É muito fácil comandá-los, tanto dentro como fora do campo”, começou por dizer o avançado, sem esquecer que“ os títulos ganhos juntos também ajudam”.“ O grupo ajudou na adaptação a este estatuto e só tenho de lhes agradecer, bem como às equipas técnicas chefiadas, primeiro, pelo Ricardo Ares e, agora, pelo Paulo Freitas”. Foi com o técnico espanhol que venceu três campeonatos nas últimas quatro épocas, um feito“ muito difícil de ser repetido”.“ O facto de sermos bicampeões nacionais, algo que já não acontecia em Portugal há algum tempo, revela o excelente trabalho que tem sido feito no Dragão Arena. Só temos de continuar este caminho, por mais que ele seja difícil”, até porque o campeonato nacional mantém-se como o principal objetivo.“ É uma obrigação para todos nós continuar a vencer enquanto jogadores do FC Porto. É isso que nos é exigido, vitórias e títulos, e trabalhamos todos os dias para estar mais perto de concretizar esses objetivos”, sublinhou. Tal como a última época, esta não arrancou como pretendido.“ Tivemos o Europeu, em que vários jogadores não arrancaram os trabalhos junto do plantel e também tivemos o processo de adaptação ao Paulo Freitas. O trabalho é sempre diferente numa seleção em relação ao clube, passa de um mês para vários, por isso até os internacionais portugueses tiveram de atravessar esse tempo de adaptação com ele”, acrescentou, sem esquecer a derrota na Supertaça, que“ custou muito a digerir”.“ No entanto, desde dezembro que estamos a criar uma dinâmica diferente e a trabalhar sobre vitórias, o que também é importante. Queremos chegar de melhor forma aos playoffs e vamos dar tudo até ao nosso limite para voltarmos a erguer o troféu”. Gonçalo Alves foi uma das figuras da caminhada europeia dos portistas rumo à conquista da Liga dos Campeões em 2023, em Viana do Castelo. Campeão no Velho Continente tanto a nível de clubes como de seleções, o hoquista pretende repetir o feito, agora como capitão do FC Porto.“ Que seja este ano, seria um bom sinal. É um objetivo muito grande para mim erguer o maior número de troféus e a Liga dos Campeões não é exceção. Este troféu é, sem dúvida, um dos mais desejados no FC Porto, estivemos muitos anos sem o vencer”, lembrou o camisola 77, ciente das dificuldades, mas confiante de que a equipa estará na Final 8 a fazer por merecer“ a pontinha de sorte, que nestas provas e perante grandes adversários, também é precisa”.

SINÓNIMO DE GOLOS E TÍTULOS Antes da Europa, o capitão do FC Porto também já conquistou Portugal e o mundo com a camisola azul e branca, mas não quer ficar por aqui.“ Levanto-me todos os dias com cada vez mais ambição e mais garra para trabalhar nos treinos, porque tenho dois filhos e gostaria que eles, quando forem mais velhos, saibam quem foi o pai no FC Porto e que ele foi um bom jogador de hóquei em patins. É um legado que todos os jogadores deste plantel podem deixar no FC Porto e às suas famílias”, destacou, até porque“ é um privilégio ser profissional desta modalidade e fazer aquilo de que se gosta todos os dias”. Desafiado a lembrar os feitos já alcançados pelo FC Porto, Gonçalo Alves deixou claro que era“ difícil destacar um”.“ Todos os títulos são importantes, ainda para mais conquistados no FC Porto. O que todos queriam vencer era a Liga dos Campeões, por todos os anos que estivemos sem ganhar. Contudo, o que está sempre na minha memória é o primeiro campeonato que venci, em que tivemos de aguardar pelo desfecho do jogo entre o Sporting e o Benfica. Foi uma ânsia enorme, porque o Benfica esteve perto de fazer o 6-5 no final que lhes daria o campeonato”. O momento de festa, contudo,“ compensou o tempo de espera”. A nível internacional, Gonçalo Alves recorda a Taça Intercontinental.“ O meu filho Pablo nasceu na quarta-feira antes da final, jogamos a primeira mão na sexta-feira e a segunda no domingo, no Pavilhão João Rocha. Foram cinco dias de adrenalina pura e poder acabar a semana com o título foi muito especial”, lembrou. Jogo a jogo, Gonçalo continua a celebrar golos.“ Ainda tenho mais prazer de os marcar. Sei perfeitamente que um dia terei de deixar de jogar hóquei em patins, mas espero ainda ter pelo menos mais uns bons dez anos pela frente. No entanto, é a realidade e, por isso, desfruto muito de assistir e
“ É UMA OBRIGAÇÃO PARA TODOS NÓS CONTINUAR A VENCER ENQUANTO JOGADORES DO FC PORTO. É ISSO QUE NOS É EXIGIDO, VITÓRIAS E TÍTULOS, E TRABALHAMOS TODOS OS DIAS PARA ESTAR MAIS PERTO DE CONCRETIZAR ESSES OBJETIVOS”
57