FUTEBOL
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
ritmo, um drible bem escolhido, uma diagonal que rasga, e uma assistência tirada do bolso no instante em que a defesa hesita por um segundo. A fome vem declarada, sem filtros:“ Estou mais do que pronta, adoro ganhar e quero ajudar esta equipa a fazê-lo.” E o objetivo surge escrito com a mesma clareza:“ Quero muito ajudar a equipa a subir à Primeira Divisão e esse é o meu principal objetivo.” A internacional eslovaca( seis vezes pela seleção principal) traz ainda o lastro de jogos com outra pressão, tendo participado na qualificação para o Campeonato da Europa e na fase de grupos da Liga das Nações de 2025. Há também um detalhe que funciona como uma espécie de promessa: a camisola 77.“ É o meu número da sorte. Quando era criança escolhia sempre o número 7 e espero que o duplo 7 me dê muita sorte.” No FC Porto, a sorte só conta quando se transforma em trabalho e o duplo sete soa mais a compromisso do que a superstição. A coincidência torna-se ainda mais bonita quando se olha para trás. A Eslováquia já teve um corredor esquerdo com o Dragão ao peito: Marek Čech, também canhoto, vestiu de azul e branco entre 2005 e 2008. Nesses anos, enquanto o lateral percorria a faixa no Estádio do Dragão, Lenka ainda era bebé, a dar os primeiros passos longe dos holofotes. Uma geração depois, volta a haver sotaque eslovaco na ala: antes, para defender e equilibrar; agora, para acelerar, desequilibrar e aproximar a equipa do objetivo. Lenka fecha a apresentação como quem acende a luz no corredor:“ Estejam atentos ao meu pé esquerdo.” É um convite e um aviso.
53