TEMA DE CAPA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ enquadramento de renovação, de infinito”,“ de um ciclo que se renova sob o signo do ouroboros”. Entre a serpente ou dragão que fecha o círculo e a frase no vitral que lembra a dignidade do esforço, o FC Porto contou a mesma história em duas línguas: continuidade e trabalho. Farioli chamou à renovação“ uma prova de confiança fantástica” e resumiu-a num gesto comum:“ Acima de tudo, estamos a dar um passo juntos nesta caminhada”. Mais do que prolongar datas, quer“ continuar a trabalhar com o mesmo ritmo e com a mesma ambição”, assumindo a“ grande responsabilidade” de“ representar um clube desta dimensão”. Falou do laço criado“ como um passo de fé de ambas as partes” e da forma como a relação cresce“ diariamente através do trabalho e do comprometimento”. A renovação traz também continuidade na engrenagem com a entrada de Felipe Sánchez como adjunto, num reencontro profissional com Farioli depois de uma parceria que já passou por Karagümrük, Alanyaspor, Nice e Ajax, agora com o acréscimo recente na Real Sociedad.
Junta-se a um núcleo que inclui Dave Vos, Lino Godinho, Lucho González e André Castro, entre outros, e reforça a ideia de processo com a equipa técnica a assumir a condição de motor silencioso da ambição. Em campo, esse processo tem rosto. Por ocasião da renovação, Francesco Farioli tinha utilizado 25 atletas e dado a estreia absoluta a dez jogadores com a camisola azul e branca, sinal de exigência, mas também de coragem. A equipa, por sua vez, devolve em forma de resposta, com menos ruído, mais método, com menos dependência do acaso e com mais repetição de comportamentos vencedores. No fundo, é isso que a frase do vitral ajuda a casar com o anúncio. Num espaço em que os livros celebram o esforço que fica, o FC Porto escolheu dizer que o seu projeto não vive de luzes momentâneas. Vive do trabalho que não se vê, do detalhe que se repete, da ambição que não se desvia.“ Decus in Labore” não foi apenas cenário, foi a legenda perfeita para uma renovação que pretende durar mais do que o instante. Pretende valer pelo caminho.
AFINAL, O QUE É O OUROBOROS? Ouroboros é o símbolo ancestral da serpente ou do dragão que morde a própria cauda, formando um círculo. Representa o ciclo que se fecha para recomeçar, a renovação que não rompe com o passado, transformando-o em continuidade. Na Livraria Lello, serviu de metáfora visual para o anúncio da extensão do vínculo com Francesco Farioli até 30 de junho de 2028 como um projeto que se“ estende no tempo”, reafirma o método e volta ao ponto de partida com a mesma ambição, mas mais conhecimento acumulado.
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