Dragões #469 Dez 2025 | Page 71

CORAÇÃO DE DRAGÃO
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES poder continuar a proporcionar-lhes momentos felizes”, porque – acrescentou – ver“ muita gente a lutar todos os dias” reforça a vontade de ajudar e de aproveitar o que tantas vezes se toma por garantido:“ A vida, que é muito bonita”. Para Eustáquio, que já tinha visitado o CRN na quadra festiva de 2023, regressar foi natural.“ Quando me fizeram o convite para vir este ano não hesitei”, contou, sublinhando o contraste que dá sentido a tudo:“ Custa-nos muito pouco vir aqui, mas para eles faz uma diferença enorme”.
A gratidão estendeu-se às famílias e aos profissionais que asseguram o dia-a-dia por dentro,“ tão importantes” quanto discretos.“ Este é um miminho que lhes podemos dar”, explicou, lembrando que nesta quadra o gesto“ faz uma diferença enorme” e“ significa muito para as famílias e para os enfermeiros”. No fim, não houve apito final, nem marcador. Houve um tipo de vitória que não cabe nas estatísticas: a de sair dali diferente.“ Vou para casa muito mais feliz do que estava”, admitiu Eustáquio, porque ver aquelas crianças“ a lutar todos os dias” ensina a“ olhar para a vida de forma diferente”. Talvez seja por isso que, quando estas oportunidades surgem,“ os jogadores nunca criam problemas”. Também eles recebem, no silêncio, a lição. Coração de Dragão é isto: acelerar em campo e saber abrandar a batida quando a vida pede presença. No CRN, entre sorrisos e esperança, Varela e Eustáquio lembraram que a camisola azul e branca também serve para aquecer um Natal por dentro, onde ele faz mais falta.

Presentes que não cabem no embrulho

Em Campanhã e em Penafiel, o FC Porto celebrou o Natal em duas ações distintas com o mesmo propósito: trocar a pressa pela presença e transformar brindes em sorrisos junto de jovens e crianças.
TEXTO de MANUEL T. PÉREZ

Em dezembro, quando o calendário parece acelerar, o FC Porto escolheu fazer o contrário: parar para estar presente. Em mais duas iniciativas distintas, longe das quatro linhas, mas com o mesmo emblema ao peito, a época festiva ganhou voz em gestos simples e difíceis de esquecer. No âmbito do programa de voluntariado do futebol de formação, a equipa de sub-15 trocou a rotina dos treinos por uma missão de mãos ocupadas e coração atento: triar, selecionar, embrulhar e entregar prendas a jovens em situação vulnerável no Centro Juvenil de

Campanhã. Para o médio Guilherme Fontes, foi“ muito importante” perceber que as prendas“ têm um grande significado” para quem as recebeu. O avançado Francisco Biscaia, que embrulhou um presente pela primeira vez, confessou a surpresa boa da experiência:“ Sinto-me feliz por ajudar pessoas que não têm as mesmas oportunidades … deixa-me orgulhoso jogar num clube que se preocupa com estas iniciativas.” Horas antes, noutro ponto do mapa e com outra camisola do mesmo clube, Francisco Araújo e Miguel Queiroz, acompanhados pela mascote Viena, visitaram a ala pediátrica do Hospital Padre Américo, em
Penafiel, numa ação organizada pela Casa FC Porto de Penafiel. O vice-presidente portista sublinhou a escolha de“ marcar presença” em vez de repetir mensagens“ sem carácter e personalidade”, levando“ um atleta de excelência” para transformar cumprimentos em proximidade. Ao seu lado, o capitão da equipa de basquetebol saiu“ de coração cheio” por ter conseguido“ arrancar vários sorrisos a crianças que estão a passar uma fase mais complicada”. Duas iniciativas, dois cenários, a mesma ideia a bater por dentro: ser FC Porto também é isto. Dar sem ruído, aparecer sem holofotes, e lembrar que, por vezes, o melhor presente é mesmo a presença.
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