Dragões #469 Dez 2025 | Page 22

TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES

SECCIONISTA

O trabalho dos seccionistas pode ser invisível, mas não é irrelevante. Longe dos holofotes, são eles que seguram muitas das pontas soltas do dia a dia, que mantêm tradições vivas e que ajudam a escrever capítulos inteiros da história do FC Porto movidos pela paixão. Mário Lopes é um desses nomes que o grande público talvez não reconheça à primeira, mas que o clube conhece de cor desde 1984. Chegou pela natação e, sem dar por isso, tornou-se um daqueles portistas que parecem estar um pouco por todo o lado. Foi secretário desportivo de 17 modalidades, ligou-se a equipas, atletas e dirigentes de gerações diferentes, ajudou a fazer crescer projetos e a consolidar estruturas. Também passou pela área editorial e pela saúde: foi diretor administrativo da revista Dragões, da Porto Clínica e do Bingo, sempre com o mesmo denominador comum – servir o FC Porto. Ligado às equipas de veteranos há quase quatro décadas, o associado número 6.619 é hoje uma das forças motrizes do FC Porto Vintage, espaço onde se cruzam memória, identidade e portismo em estado puro. É ali que reencontra muitos dos jogadores que acompanhou desde 1986 e é ali também que se sente, com toda a naturalidade, em casa.“ Quero agradecer à Direção do FC Porto, na pessoa do presidente André Villas-

Mário Lopes
Boas, a atribuição deste Dragão de Ouro que muito me orgulha”, afirmou, ao subir ao palco para receber o galardão. No discurso, houve tempo para recuar ao começo de tudo e para recordar quem lhe abriu a porta do balneário das velhasguardas.“ Quero, igualmente, agradecer ao senhor Álvaro Pinto, o vice-presidente que, em 1986, me convidou para dirigir os veteranos até à presente data”, sublinhou, deixando claro que esta relação com o clube não nasceu de um acaso, mas de um convite que se transformou numa vida inteira. Entre jogos, viagens, eventos, treinos e inúmeras horas dedicadas ao emblema, Mário Lopes nunca caminhou sozinho.“ Quero partilhar este prémio com a minha família, pelo apoio incondicional que sempre me transmitiu”, frisou, estendendo o reconhecimento ao staff com que trabalha e“ a todos os jogadores que representaram o FC Porto desde 1986”. Quase 40 anos depois de ter começado, Mário Lopes continua a ser um dos guardiões da memória viva do FC Porto, provando que o trabalho silencioso também faz barulho na história. Na hora de fechar o discurso, voltou ao essencial, ao ponto de partida e de chegada de toda uma vida:“ Viva o Futebol Clube do Porto!”. E era difícil encontrar melhor resumo para aquilo que tem sido o seu percurso.
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