A VISÃO DO PRESIDENTE
NOVEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
Mais fortes do que as armadilhas
Enquanto lança investimentos estruturantes em Gaia e no Porto e reforça o papel das Casas FC Porto, o Clube não abdica de denunciar desequilíbrios na arbitragem e na calendarização, mantendo o foco inabalável no título.
O FC Porto enfrenta um momento exigente, mas também repleto de oportunidades para reforçar a sua posição como referência maior do desporto e do futebol português, em particular. Abordamos o futuro mantendo a convicção de que o trabalho contínuo, associado a uma estratégia rigorosa e realista do Clube nos conduzirá a novos ciclos de sucesso.
Um dos nossos projetos estruturais mais ambiciosos é a construção do Centro de Alto Rendimento( CAR) no Olival, um investimento fundamental para o futuro do FC Porto, há muito tempo ambicionado, reconhecida que é a sua importância estratégica. Esta infraestrutura, contígua ao Centro de Treinos e Formação Desportiva Jorge Costa, ocupará cerca de 31 hectares, incluirá cinco campos de treino, hotel / residência para servir os atletas profissionais, um miniestádio e outros equipamentos de suporte de excelência, adaptados para o treino de alta competição e para o desenvolvimento integral dos atletas das equipas principais, num ambiente que lhes permita evoluir técnica e humanamente, imersos nos valores de um Clube de topo mundial. Contamos com o apoio decisivo da comunidade que nos acolhe, liderados por um novo executivo municipal, com quem recentemente reunimos, que também acredita que esta infraestrutura é fundamental para o crescimento social e desportivo do concelho de Vila Nova de Gaia e para um maior desenvolvimento da freguesia do Olival.
Paralelamente, em Campanhã, avançaremos com o lançamento da construção do novo pavilhão, que será instalado nos terrenos da, entretanto desativada, Escola Ramalho Ortigão, cedidos por 70 anos pela
Câmara Municipal do Porto. Um passo histórico no sentido da valorização do nosso ecletismo. Este pavilhão multidesportivo será um espaço crucial para o desenvolvimento de um polo desportivo integrado das modalidades do Clube e da sua formação, permitindo-nos responder adequadamente às necessidades crescentes das nossas equipas e apoiar a expansão do desporto feminino e de outras modalidades, como o futsal, que esta temporada deu os primeiros passos. É também motivo de grande orgulho a colaboração institucional que temos mantido com a Câmara Municipal do Porto, uma parceira empenhada e responsável no apoio a este projeto, contribuindo para a dinamização e valorização do desporto na cidade.
Estas obras refletem não apenas a nossa ambição desportiva, mas também o compromisso do FC Porto com o desenvolvimento social, cultural e económico das regiões onde atua, dando permanente sentido ao Estatuto de Utilidade Pública que o Estado Português nos reconheceu há quase 100 anos, em 1928, que continua a ser honrado e às distinções de Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique e de Membro Honorário da Ordem do Mérito, que mais tarde recebemos pela incontornável relevância que vimos desempenhando no desenvolvimento do país e na ligação à nossa diáspora.
Nessa linha, as Casas do FC Porto, em Portugal e no mundo, que, por força do empreendedorismo dos seus membros, marcam a diferença nas suas comunidades, têm sido decisivas no crescimento da nossa massa associativa pela dinâmica que imprimem nessas regiões a nível associativo, desportivo e social. Recentemente celebramos os 25 anos da Casa do FC Porto de Vale de Cambra, marco histórico para os Portistas vale-cambrenses, um exemplo de dinamismo, numa terra que já nos deu muitos atletas e entre os quais distinguimos o saudoso Rui Filipe.
Para terminar, não poderia deixar de vos dizer algumas palavras sobre os recentes acontecimentos que têm marcado o futebol nacional. Acontecimentos que nos levaram a tomar posições duras, quer publicamente, quer junto dos agentes e das instâncias a quem compete atuar no sentido de assegurar que a indústria do futebol no nosso país funciona dentro de padrões elevados e exigentes.
Nesse sentido, reunimos recentemente com o Presidente de Federação Portuguesa de Futebol e com o Presidente do Conselho de Arbitragem, reforçando o nosso pedido de rapidamente ver assegurada uma maior uniformidade de critérios dos árbitros, a implementação da profissionalização desse setor, uma maior coerência na aplicação dos critérios de meritocracia nas nomeações para jogos de maior grau de complexidade e, de novo, uma operacionalização correta das funcionalidades da tecnologia VAR, operando no máximo das suas funcionalidades, uniformizando o número e qualidade das câmaras, em todos os estádios das Ligas Profissionais. Sem particularizar e sempre admitindo que as realidades são dinâmicas e necessitam de melhorias e adaptações contínuas, a nossa indignação toma outras proporções perante as tentativas continuadas de dissimular o que são fragilidades evidentes do sistema da Arbitragem em Portugal.
Curiosamente, estas fragilidades passam ao lado dos“ analistas” da arbitragem que diariamente marcam presença em diferentes meios de comunicação social, onde apenas se dedicam a fazer autênticas lavagens cerebrais da opinião pública. O que é evidente aos olhos de qualquer neutro adepto de futebol ganha demasiadas vezes novas e mirabolantes interpretações aos olhos dos“ especialistas” que parecem ter perdido a vergonha de forma descarada. As“ interpretações dos regulamentos” e as“ abordagens e critérios” ultrapassam a“ tecnologia de suporte à decisão”, fazendo com que, nas mais recentes análises, o
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