Dragões #449 Abr 2024 | Page 11

ENTREVISTA

“ ESTOU MUITO FELIZ POR ESTAR ONDE ESTOU ”

Se há um nome intimamente ligado ao crescimento do basquetebol do FC Porto nas duas últimas temporadas , é o de Fernando Sá , por isso é que o clube não hesitou em renovar-lhe o contrato por dois anos , até 2026 . Nesta grande entrevista à DRAGÕES , o treinador natural de Gondomar recorda uma infância pintada de azul e branco e revela que , na altura , era impensável “ ser de outro clube que não o FC Porto ”.
ENTREVISTA de BRUNO LEITE

Como verdadeiro Dragão que é , Fernando Sá também não esconde que tinha o sonho de treinar o clube do coração depois de o ter capitaneado enquanto jogador . Ciente de que os tempos são outros e de que o basquetebol mudou muito , o técnico não poupa nos elogios ao plantel que comanda e que já conquistou uma Taça de Portugal em 2023 / 24 , mas o título de campeão nacional e a Taça Hugo dos Santos também são objetivos claros . Como não poderia deixar de ser , vencer a Liga é a maior ambição de todas , por isso é que é determinante segurar o primeiro lugar e garantir a vantagem

casa em todas as eliminatórias dos Playoffs . Afinal de contas , o Dragão Arena continua a ser uma fortaleza intransponível a nível interno , muito por culpa da crescente adesão do “ Mar Azul ” aos jogos da equipa de basquetebol : “ Acho que é uma vitória que já ninguém nos pode tirar ”, acredita Fernando Sá . Sustentado nessa ligação cada vez mais forte entre a equipa e os adeptos , e vice-versa , o treinador acredita que os azuis e brancos estão preparados para lutar pela conquista do campeonato , mas Benfica , Sporting e Oliveirense prometem não dar tréguas . Sobre a fantástica campanha internacional na FIBA Europe Cup , Fernando Sá fala em orgulho e em esperança para o futuro .
A Praça Velásquez é um local com muito simbolismo para si . Que recordações lhe desperta ?
A Praça Velásquez traz-me memórias de muito tenra idade . Quando vinha com o meu pai ao futebol , até à missa ao domingo de manhã na Igreja das Antas nós íamos . Depois passávamos o dia no complexo em redor do Estádio das Antas . É uma zona em que me sinto muito à vontade e que me traz muito boas memórias .
Quais são as melhores recordações que guarda da infância enquanto portista ? Sou de uma boa geração , pois comecei a viver mais o FC Porto depois daquele período em que esteve 19 anos sem ser campeão . Em 1978 tinha nove anos e tenho memória desse momento , da grande festa que foi na cidade e em minha casa também . A partir daí , felizmente temos tido muitas alegrias .
Os seus pais tiveram uma
importância grande no facto de ser portista ? Não tínhamos alternativa na altura e nem nos passava pela cabeça ser de outro clube que não o FC Porto . Fomos educados para sermos das coisas que nos rodeiam e somos naturais de Fânzeres , em Gondomar . O meu pai foi alguém com muita influência no início do hóquei em patins em Fânzeres , por isso o regionalismo para nós existiu sempre . O FC Porto sempre foi uma coisa que não se colocava em questão .
E a ligação ao basquetebol ? Como e quando começou ? O basquetebol começa por influência dos meus irmãos mais velhos . Eu sou o mais novo de 11 filhos , todos eles praticantes de hóquei em patins . Sou o único que nunca praticou hóquei em patins . Nos quatro últimos ,
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REVISTA DRAGÕES ABRIL 2024