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viram além de uma expressão apagada pelo tempo e pela
mágoa, do frio Invernoso e da neve cinzenta, tal e qual a
sua alma, vagueando até cair branca no chão e se
derramar líquida, é a verdade silenciada, verdadeira e
implacável.
- Perdoa-me…
O destino, que destino, arma sem escrúpulos, sem amor, e
sem amor, a existência estéril, invenção mentirosa,
desinfectante de pecados com nome próprio, o destino foi
o caralho, crime impune, baralhou a máquina e fez da
vida relógio lento, as peças, essas nasceram certas, e
perante o tempo moroso e opaco, esperou então paciente,
que a morte finalmente lhe colorisse a vida.
- Pai.
- Perdoa-me o anacronismo.
- Mas Odeio-te até na morte.
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