Desfazer as confusões pd52 | Page 195

Sob o título “Karl Marx e o nosso tempo”, os artigos de 2018 traduzem a crença de Luiz Sérgio em que no Ocidente – conti- nente político em que nos situamos – a democratização do Estado como processo permanente, combinado com a auto-organização da sociedade, darão sentido e potência às democracias constitu- cionais, hoje sob o ataque de autoritários de direita e de esquerda. Como se vê, o tema da democracia política – e do papel da esquerda para o seu aprofundamento – é o fio que perpassa os artigos selecionados. Neles, a despeito de reconhecer a tensão constitutiva do binômio democracia/esquerda, o autor reafirma a contribuição das lutas sociais e políticas para a ampliação das liberdades e para o ingresso da grande massa de excluídos no mundo dos direitos. Não há que falar, portanto, como ainda o faz parte significativa das forças de esquerda, em democracia burguesa, a que opõe a miragem insurrecional de ataque ao poder. Segundo o autor, a dicotomia direita/esquerda definitivamente não esgota os conflitos da vida social. E as sociedades contemporâneas, quando não são suicidas, têm aprendido a construir valores e instituições que rele- vam o bem comum. Por isso, a visão puramente instrumental da democracia e a atitude desdenhosa em relação ao caminho proces- sual das reformas jamais estarão à altura dos desafios da hora. Com esse livro extraordinário, cuja relevância é ainda mais visível no contexto em que nos encontramos, Luiz Sérgio Henri- ques não apenas requalifica seus predicados como pensador da cultura e da política contemporâneas, como fixa um caminho programático para todos aqueles que entendem ser indispensável a renovação da esquerda brasileira para a consolidação e dignifi- cação da nossa democracia política. Sobre a obra: Reformismo de esquerda e democracia política, de Luiz Sérgio Henriques. FAP/Verbena. 303p. Reformismo de esquerda e democracia política 193