que teve de editar atos desse tipo por quatro vezes, terá apro-
veitado ao redator do novo edito.
Bem informado, Castelo até adiantou o que estaria por vir.
[...] tudo indica que se cumprirão as profecias de um expurgo
no Poder Judiciário.
Diferentemente de Castelo, que escreveu sua coluna no calor dos
fatos, o jornalista Zuenir Ventura teve muito mais tempo para refle-
xão. Seu belo ensaio 1968: o ano que não terminou (Nova Fronteira,
1988) considera todas as variáveis históricas, inclusive, as externas,
para relatar e comentar os de 1968, antes e depois, no Brasil. Afinal,
passados 20 anos do furacão, era possível olhar melhor o objeto.
Para Zuenir,
A violência, que o marechal Costa e Silva confessou ter sentido
ao editar o AI-5, ia deixar de ser uma figura de retórica.
A partir do dia 13 de dezembro de 1968, ela alteraria de fato a
alma e a carne de toda uma geração. 7
Na verdade, “o AI-5 começou a censurar antes de ser editado e
a prender antes de ser anunciado publicamente”, como constata o
autor Zuenir Ventura.
O que o ano de 1968 significa na história política e social
brasileira?
O historiador Carlos Fico, professor da Universidade Federal
do Rio de Janeiro e autor do Livro Além do golpe – versões e contro-
vérsias sobre 1964 e a ditadura militar, dentre outros, tem uma
visão crítica e distanciada daquele momento. “Há forte memória
que associa 1968 a atitudes libertárias”, pondera. “Concreta-
mente, entretanto, 1968 foi um ano muito ruim, com mortes de
estudantes, assassinatos de militares, prisão de ex-presidente,
ataques a teatros, sequestro e espancamento de artistas, roubo
de armas militares etc. O movimento estudantil, radicalizado por
lideranças simpáticas à luta armada, frustrou-se com o AI-5.
Muitos jovens inexperientes se tornaram facilmente recrutáveis
pelas organizações que se autodenominavam revolucionárias e
vários seriam presos a partir de 1969”. 8
7
8
VENTURA, Zuenir. 1968 . O ano que não terminou . 11ª edição. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1988.
1968 foi “muito ruim”, diz historiador Carlos Fico . Entrevista publicada no
Jornal do Brasil, de 25/03/2018, concedida às repórteres Pamela Mascare-
nhas e Rebeca Letieri. Disponível em: