No dia 1 o de fevereiro, uma foto de Eddie Adams, da agência
Associated Press, chocava o mundo. Mostrava uma execução à
queima-roupa em Saigon, no Vietnam. O general Nguyen Ngoc
Loan, da polícia nacional do Vietnam do Sul, executa um guerri-
lheiro vietcong, com um tiro na cabeça, em Quang Pagoda.
Em 5 de junho, em Los Angeles, costa oeste americana, o
senador Robert F. Kennedy, também conhecido como Bobby
Kennedy ou RFK, foi assassinado aos 42 anos. Kennedy foi baleado
três vezes por Sirhan Sirhan, um palestino, no Ambassador Hotel.
Ele acabara de fazer um discurso depois de sua vitória nas primá-
rias presidenciais no importante colégio eleitoral da Califórnia.
Dois meses antes, no dia 4 de abril, o líder político Martin
Luther King Jr. fora assassinado em Memphis, no Estado do
Tennessee (EUA).
Em julho, cenas de centenas de pessoas esqueléticas, principal-
mente crianças, inundaram a imprensa. Elas denunciavam a extrema
pobreza na Biafra (Nigéria), onde a população morria de fome.
No Reino Unido, os Beatles lançavam seu duplo “White Album”
com versões mixadas de suas músicas mais experimentais.
A China celebrava 20 anos sob a mão firme do comunista Mao
Tsé-Tung no poder.
O candidato Republicano Richard Nixon derrotava Hubert
Humphrey (Democrata) e o independente George Wallace elegendo-
se Presidente dos Estados Unidos.
Watergate estava logo à frente.
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– Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrú-
pulos de consciência.
O ministro do Trabalho e da Previdência Social, Jarbas Passa-
rinho, estava tenso e sério, achava aquilo um excesso, mas como
militar, era ortodoxo na disciplina.
A edição do AI-5 enterrou os escrúpulos que ainda existiam
em um governo que se impunha, cada vez mais, pela força.
Na vitrola, o hit era de Gal Costa & Caetano Veloso, Baby:
1968, o ano que mudou o mundo
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