Desfazer as confusões pd52 | Page 145

maioria na Câmara dos Deputados, o que deixa o presidente em posição complicada, nos próximos dois anos, para disputar a reeleição. No plano externo, a agenda de Trump prevê a reafirma- ção política, econômica e militar dos EUA, o que envolve o resta- belecimento da liderança absoluta no Hemisfério Americano. Se com Barack Obama a diplomacia dos EUA buscou o multi- lateralismo, o que empurrou Washington ao diálogo com os parceiros em todas as esferas de relações, com Trump a opção passa a ser na linha de “os Estados Unidos em primeiro lugar”. Afora as represálias comerciais generalizadas, que atingem produtos brasileiros, qualquer aproximação pressupõe alinha- mento político-diplomático. Oriente Médio Nos 13 anos de governos de Lula e Dilma, o Brasil adotou como bússola a aproximação com o mundo árabe, pagando o preço de progressivos atritos com Israel. O Brasil puxou a fila da América Latina no reconhecimento diplomático da Palestina, do qual se abstiveram apenas a Colômbia e o Paraguai, principais aliados dos EUA na região. O cenário regional do Oriente Médio mudou, em meados do ano, com a decisão dos EUA de transferir para Jerusalém a embaixada em Israel, o que equivale ao reconhecimento da cidade como capital do Estado judeu, a despeito das reivindicações pales- tinas. Washington passa a pressionar os vizinhos para que acom- panhem o movimento, o que, do ponto de vista regional, significa reverter a posição tomada sob o impulso brasileiro em 2010. A este respeito, Bolsonaro já declarou estar na linha de Trump. E o líder israelense Netaniahu já anunciou que virá à posse do presi- dente brasileiro, em janeiro de 2019. 142 Silvio Queiroz