maioria na Câmara dos Deputados, o que deixa o presidente em
posição complicada, nos próximos dois anos, para disputar a
reeleição. No plano externo, a agenda de Trump prevê a reafirma-
ção política, econômica e militar dos EUA, o que envolve o resta-
belecimento da liderança absoluta no Hemisfério Americano.
Se com Barack Obama a diplomacia dos EUA buscou o multi-
lateralismo, o que empurrou Washington ao diálogo com os
parceiros em todas as esferas de relações, com Trump a opção
passa a ser na linha de “os Estados Unidos em primeiro lugar”.
Afora as represálias comerciais generalizadas, que atingem
produtos brasileiros, qualquer aproximação pressupõe alinha-
mento político-diplomático.
Oriente Médio
Nos 13 anos de governos de Lula e Dilma, o Brasil adotou
como bússola a aproximação com o mundo árabe, pagando o
preço de progressivos atritos com Israel. O Brasil puxou a fila da
América Latina no reconhecimento diplomático da Palestina, do
qual se abstiveram apenas a Colômbia e o Paraguai, principais
aliados dos EUA na região.
O cenário regional do Oriente Médio mudou, em meados do
ano, com a decisão dos EUA de transferir para Jerusalém a
embaixada em Israel, o que equivale ao reconhecimento da cidade
como capital do Estado judeu, a despeito das reivindicações pales-
tinas. Washington passa a pressionar os vizinhos para que acom-
panhem o movimento, o que, do ponto de vista regional, significa
reverter a posição tomada sob o impulso brasileiro em 2010. A
este respeito, Bolsonaro já declarou estar na linha de Trump. E o
líder israelense Netaniahu já anunciou que virá à posse do presi-
dente brasileiro, em janeiro de 2019.
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Silvio Queiroz