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EDITORIAL
A
René Magritte
leitura é um ritual inquebrável de sensações. O que nos traz um livro não se
obtém de nenhuma outra forma. Seja qual for a nossa preferência basta
escolhermos o portal certo. Ao entrarmos numa biblioteca ou livraria fazemos
um pedido semelhante ao que fazemos numa agência de viagens. Há sempre
alguém no balcão para nos perguntar o destino desejado e indicar-nos o local onde
poderemos encontrar os portais que nos levam a esse mesmo destino.
Se houver uma reflexão assídua sobre o assunto até somos capazes de chegar à
conclusão de que andamos sempre com um, ou mais, desses bilhetes connosco.
Não há nada como viajar. Viajar preenche-nos e faz-nos pensar sobre o que poderá
acontecer nesse mesmo instante num outro local. E, sobretudo, que não é preciso
viajar para conhecer o desconhecido, pois muitas vezes ele mora nas pessoas que
vemos todos os dias, nos sítios que percorremos dia após dia.
Basta não tomar nada como certo. É esse o contraponto que devemos ter sempre!
Nunca tomar nada como certo. Não basta olhar, temos que ver.
As nossas ideias podem ser objectos preciosos, uma arma contra as injustiças, o botão
de mudança, quando bem usadas. Até mesmo as que parecem mais disparatadas,
vindas da nossa imaginação, onde as cores têm cheiro e cada cheiro a sua cor,
podem fazer uma pequena/grande diferença.
Nesta edição a moda parece dominar, assim como os livros, mas é uma aparência
enganadora. Apesar de estarem presentes são meios para o essencial: o que todos
nós pensamos, a maneira como nos vemos, a maneira como nos movemos entre as
ideias e, principalmente, aquilo de que somos capazes.
Espero ter utilizado as minhas ideias bem o suficiente para tornar esta revista, além
de um projeto vivo, um projeto que possa ter continuidade e que contribua para
tornar o nosso agrupamento num sítio onde as ideias dos alunos passem, mais vezes,
à prática.