Contraponto Nº 1 - Revista Escolar | Page 3

3 EDITORIAL A René Magritte leitura é um ritual inquebrável de sensações. O que nos traz um livro não se obtém de nenhuma outra forma. Seja qual for a nossa preferência basta escolhermos o portal certo. Ao entrarmos numa biblioteca ou livraria fazemos um pedido semelhante ao que fazemos numa agência de viagens. Há sempre alguém no balcão para nos perguntar o destino desejado e indicar-nos o local onde poderemos encontrar os portais que nos levam a esse mesmo destino. Se houver uma reflexão assídua sobre o assunto até somos capazes de chegar à conclusão de que andamos sempre com um, ou mais, desses bilhetes connosco. Não há nada como viajar. Viajar preenche-nos e faz-nos pensar sobre o que poderá acontecer nesse mesmo instante num outro local. E, sobretudo, que não é preciso viajar para conhecer o desconhecido, pois muitas vezes ele mora nas pessoas que vemos todos os dias, nos sítios que percorremos dia após dia. Basta não tomar nada como certo. É esse o contraponto que devemos ter sempre! Nunca tomar nada como certo. Não basta olhar, temos que ver. As nossas ideias podem ser objectos preciosos, uma arma contra as injustiças, o botão de mudança, quando bem usadas. Até mesmo as que parecem mais disparatadas, vindas da nossa imaginação, onde as cores têm cheiro e cada cheiro a sua cor, podem fazer uma pequena/grande diferença. Nesta edição a moda parece dominar, assim como os livros, mas é uma aparência enganadora. Apesar de estarem presentes são meios para o essencial: o que todos nós pensamos, a maneira como nos vemos, a maneira como nos movemos entre as ideias e, principalmente, aquilo de que somos capazes. Espero ter utilizado as minhas ideias bem o suficiente para tornar esta revista, além de um projeto vivo, um projeto que possa ter continuidade e que contribua para tornar o nosso agrupamento num sítio onde as ideias dos alunos passem, mais vezes, à prática.