COLÉGIO SANTO IVO Colégio Santo Ivo 50 anos | Page 9

*** ** PREFÁCIO Nestes momentos, em que o outono da vida chega a nós, e, revivendo memórias que já imaginava esquecidas, sendo convidado a fazer a apresentação deste livro, passo a meditar e refletir. Muito jovem, ainda no alvorecer da adolescência, nos meus 14 anos de vida, já havia decidido cursar a faculdade de Direito. Por conta própria, terminado o curso primário, já providenciara minha matrícula no então curso clássico, do colegial, na época com três anos de duração. Rememorando, sinto que tal opção certamente surgira por admiração ao trabalho de meu pai, então Procurador do Estado. Ele se reunia com seus colegas, quando debatiam, num período de Ditadura, que deveriam lutar para que o país voltasse ao estado de direito, com Constituição e eleições livres, no que redundou na Revolução Constitucionalista de 1932, das quais eles participaram. Terminado o curso clássico, após passar nos exames do vestibular, passei a cursar o primeiro ano da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Ao final do curso, já iniciara meu escritório de advocacia, assessorado por um advogado, como exigia a OAB. Após formado, com muita garra, já com seis anos na profissão, sentia-me completamente realizado, com boa clientela, quando, na defesa de uma causa, surgiu um fato que mudou completamente meu modo de pensar sobre a relação dos reais valores da vida. Após a primeira audiência, verificando que haveria necessidade de testemunhas, fui surpreendido com a resposta daquele cliente que, com muita convicção, declarou: “Minha testemunha é Deus, estou convicto de que estou certo, porque sou honesto”, ao que repliquei: “Melhor impossível, mas, na Justiça dos homens, tal formalidade tem de ser cumprida, se for necessária”. Em resumo, não forneceu sequer nomes de testemunhas e perdemos a causa. Irresignado e com uma feição de absoluta pureza, o cliente não se conformava, dizendo-me: “Então a Justiça não existe?”. Realmente, em sua ótica, até tinha certa razão, porém, como advogado expliquei a ele que o juiz deve julgar sempre de acordo com as provas constantes dos autos e esta formalidade, no que diz respeito à não indicação de testemunhas, não fora cumprida. Acreditava no meu cliente e, muito abalado, não consegui dormir aquela noite, pois veio-me à mente certa aula, na faculdade, em que o professor dissera que tomássemos sempre cuidado, porque, já no direito romano, proclamava-se: “Summum Jus, summa injuria” (o excesso de direito pode levar ao excesso de injustiça). No dia seguinte, lembrando-me dos ensinamentos de meu pai, que havia fundado, paralelamente à sua profissão, um Colégio, no qual formara-se toda uma geração, resolvi seguir seus passos, fundando também uma escola, o Colégio Santo Ivo, que nesta oportunidade completa meio século de grandes realizações, conforme consta do histórico e depoimentos deste livro. Esses 50 anos de história marcaram a minha vida e, tenho certeza, que a de muitos alunos, familiares e funcionários que por aqui passaram. Formamos uma família que, a cada dia, está mais consolidada e repleta de bons frutos. Cada espaço deste colégio foi feito com a vontade de proporcionar o melhor ambiente possível para o desenvolvimento. Cada profissional que por aqui passou, cada aluno e cada parceiro deixaram sua marca e ajudaram a construir o que somos hoje: um lugar onde se compartilha valores, aprendizados, relacionamentos e crescimento. Boa leitura a todos! JOSÉ CARLOS DE BARROS LIMA Diretor Geral do Colégio Santo Ivo