Coleção “Passaporte Literário” Machado de Assis: breve incursão literária | Page 39
Aposentado após mais de trinta anos sendo
diplomata no exterior, viúvo e solitário, o
narrador também discorre sobre o casal Aguiar e
sobre os seus “filhos postiços”, Tristão e Fidélia,
como meio de distração da tediosa velhice.
Quando escreve seu diário, Conselheiro Aires
parece construir sua autobiografia através da
vida das personagens que ele observa e descreve,
analisando, assim, sua própria existência.
Representa uma personagem que acompanhou
Machado de Assis durante seu percurso literário
e a partir de certo momento, segundo alguns
especialistas, foi se confundindo com ele. É
um velho aposentado e simpático diplomata,
que usa o seu tempo para escrever um diário,
contando o que acontece ao seu redor.
A escolha de um diplomata aposentado
permite a Machado de Assis utilizar-se de duas
características marcantes da personagem para
sua narrativa: o ceticismo, característico de
muitos idosos; e a conciliação, virtude máxima
da diplomacia.
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