Coleção “Passaporte Literário” Machado de Assis: breve incursão literária | Seite 28
disso, o pai decide mandá-lo a Coimbra (Portugal)
para estudar.
De todas porém a
que me cativou logo foi uma... uma...
não sei se diga; este livro é casto, ao
menos na intenção; na
intenção é castíssimo. Mas vá lá; ou
se há de dizer tudo ou nada. A que
me cativou foi uma dama
espanhola. Marcela, a “linda
Marcela”, como lhe chamavam os
rapazes do tempo. E tinham razão os
rapazes. Era filha de um hortelão das
Astúrias; disse-mo ela mesma, num
dia de sinceridade, porque
a opinião aceita é que nascera de um
letrado de Madri, vítima da invasão
francesa, ferido, encarcerado,
espingardeado, quando ela tinha
apenas doze anos. Cosas de España.
Quem quer que fosse, porém, o
pai, letrado ou hortelão, a verdade é
que Marcela não possuía a inocência
rústica, e mal chegava a
entender a moral do código
(Assis, 1881, p. 15).
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