Coleção “Passaporte Literário” Lima Barreto: breve incursão literária | Seite 31
sem provar seus conhecimentos linguísticos em
javanês. Mesmo assim, quando iria servir de
intérprete a um marinheiro javanês, escapa por
um triz dessa enrascada.
À noite, quando pude entrar em casa
sem ser visto, para evitar indiscretas
perguntas do encarregado, ainda
continuei no quarto a engolir o meu
“a-b-c” malaio, e, com tanto afinco
levei o propósito que, de manhã, o
sabia perfeitamente.
Convenci-me que aquela era a língua
mais fácil do mundo e saí; mas não
tão cedo que não me encontrasse
com o encarregado dos aluguéis dos
cômodos:
- Senhor Castelo, quando salda a sua
conta?
Respondi-lhe então eu, com a mais
encantadora esperança:
- Breve... Espere um pouco... Tenha
paciência... Vou ser nomeado
professor de javanês, e...
Por aí o homem interrompeu-me:
- Que diabo vem a ser isso, Senhor
Castelo?
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