Coleção “Passaporte Literário” Lima Barreto: breve incursão literária | Page 26

—Oh! como não? Um jornalista, do O Globo, não é? — Esse mesmo. — Por que não me disse logo? Quando se está em presença da polícia, a nossa obrigação é dizer toda a nossa vida, procurar atestados de nossa conduta, dizer os amigos, a profissão, o que se faz, o que se não faz... — Não sabia que era um homem importante, por isso... — Pois não! Um jornalista é sempre um homem importante, respeitado, e nós, da polícia, temo-lo sempre em grande conta... Vá-se embora, disse- me ele por fim, e procure mudar- se daquele hotel quanto antes... Aquilo é muito conhecido... Os furtos se repetem e os ladrões nunca aparecem... Mude-se quanto antes, é o meu conselho. Vá! Eu ia saindo e, antes de transpor a porta, o delegado veio ao meu encontro e recomendou em voz baixa: — Não diga nada ao doutor Rostóloff — sabe? Ele pode publicar e ambos nós temos que perder... (Barreto, 1995, p. 40-41). | 26 |