e, à proporção que o conquistava,
reproduziam-se os quartos e o
número de moradores.
Sempre em mangas de camisa,
sem domingo nem dia santo, não
perdendo nunca a ocasião de
assenhorear-se do alheio, deixando
de pagar todas as vezes que podia
e nunca deixando de receber,
enganando os fregueses, roubando
nos pesos e nas medidas, comprando
por dez réis de mel coado o que
os escravos furtavam da casa dos
seus senhores, apertando cada
vez mais as próprias despesas,
empilhando privações sobre
privações, trabalhando e mais a
amiga como uma junta de bois, João
Romão veio afinal a comprar uma
boa parte da bela pedreira, que
ele, todos os dias, ao cair da tarde,
assentado um instante à porta da
venda, contemplava de longe com um
resignado olhar de cobiça
(Azevedo, 1890, p. 4).
Outras histórias se cruzam na animada vida do
cortiço. Uma delas é o romance entre Rita Baiana
– mulher livre cuja dança cativa os homens do
| 37 |