Coleção “Passaporte Literário” Aluísio Azevedo: breve incursão literária | Página 37

e, à proporção que o conquistava, reproduziam-se os quartos e o número de moradores. Sempre em mangas de camisa, sem domingo nem dia santo, não perdendo nunca a ocasião de assenhorear-se do alheio, deixando de pagar todas as vezes que podia e nunca deixando de receber, enganando os fregueses, roubando nos pesos e nas medidas, comprando por dez réis de mel coado o que os escravos furtavam da casa dos seus senhores, apertando cada vez mais as próprias despesas, empilhando privações sobre privações, trabalhando e mais a amiga como uma junta de bois, João Romão veio afinal a comprar uma boa parte da bela pedreira, que ele, todos os dias, ao cair da tarde, assentado um instante à porta da venda, contemplava de longe com um resignado olhar de cobiça (Azevedo, 1890, p. 4). Outras histórias se cruzam na animada vida do cortiço. Uma delas é o romance entre Rita Baiana – mulher livre cuja dança cativa os homens do | 37 |