A Praia Grande e a Rua da Estrela
contrastavam todavia com o resto
da cidade, porque era aquela hora
justamente a de maior movimento
comercial. Em todas as direções
cruzavam-se homens esbofados e
rubros; cruzavam-se os negros no
carreto e os caixeiros que estavam
em serviço na rua; avultavam
os paletós-sacos, de brim pardo,
mosqueados nas espáduas e nos
sovacos por grandes manchas de
suor. Os corretores de escravos
examinavam, à plena luz do sol, os
negros e moleques que ali estavam
para ser vendidos; revistavam-lhes os
dentes, os pés e as virilhas; faziam-
lhes perguntas sobre perguntas,
batiam-lhes com a biqueira do
chapéu nos ombros e nas coxas,
experimentando-lhes o vigor da
musculatura, como se estivessem a
comprar cavalos
(Azevedo, 1881, p. 8).
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