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Entrei no Ciência, café e cultura, em 2013, com a esperança de divulgar a
ciência criando um espaço acolhedor que não fosse intimidante para aqueles
que não faziam parte do corpo discente e docente. Com o tempo, percebi que
o Café vai muito além disso. O projeto visa também quebrar essa visão hie-
rárquica da ciência e provar que o conhecimento é concedido bilateralmente,
como quando fizemos uma edição especial sobre o dia dos trabalhadores com
os funcionários da limpeza e almoxarifado do CEFET-MG . Ali pude sentir, a
partir do engajamento da plateia, como é possível transformar o espaço de
forma que as pessoas se sintam confortáveis para debater e trocar conhe-
cimento. Não só é importante atrair e incentivar o público a debater como
também é necessário mostrar que em qualquer lugar pode-se discutir sobre
ciência e cultura. Isso foi provado no evento sobre Astronomia que fizemos
a céu aberto, no gramado do CEFET-MG . Nesse dia pedimos as pessoas para
levarem suas toalhas, assim sentariam no gramado e comemorariam o Dia da
Toalha. Isso fez-me perceber como já tínhamos conquistado um público fiel
e participativo, disposto a discutir os vários temas que apresentamos. O pú-
blico quer sentir que tem voz. Todo início de debate eu percebia certa timidez
das pessoas em relação ao microfone, entretanto, quando o primeiro apare-
cia, muitos desistiam de perguntar anonimamente pelo tablet e solicitavam
o microfone. Dessa forma, vejo que o Ciência, café e cultura surgiu para
provar que a ciência não tem e não deve ser propriedade de uma minoria,
nem restrita a espaços acadêmicos. Sendo assim, posicionar os debatedores
em roda, no mesmo nível do público, pode ser um pouco desconfortável para
esses que não estão acostumados com essa quebra na hierarquia, porém, ao
mesmo tempo pode ser libertador para o espectador concedendo-lhe mais
proximidade e conforto para perguntar e debater o tema.
Gabriel Vítor Martins da Silva
Bolsista BIC JR FAPEMIG DPPG (2013/2014)
Ex-aluno do Curso Técnico em Estradas CEFET-MG
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