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Porosidade e comunicação
Uns poderiam dizer que foi obra do acaso. Outros, da providência. Há quem
diga maktub, palavra de origem árabe, que significa estava escrito. A força
do destino. Os que não acreditam em nada disso apostarão, exclusivamente,
no livre-arbítrio. O ímpeto da agência humana. Seja como for, o fato é que,
naquela noite do dia 16 de outubro de 2014, adentrei a biblioteca do Campus
I e estabeleci minha primeira experiência com o Ciência, café e cultura.
Vinha acompanhado por minha esposa, Cíntia, e, de repente, uma poderosa
visão se descortinou: pessoas de dentro e de fora da academia, reunidas, em
diálogo livre e horizontal. Nem o ambiente consagrado de uma biblioteca
resistiu ao clima descontraído daquela tertúlia. O tema em pauta era um dos
mais urgentes: as relações entre cultura e sustentabilidade. Não corriam res-
postas prontas, nem duvidosas fórmulas mágicas para os problemas levanta-
dos, mas sim um esforço comum de pensar quem éramos, o que estávamos
fazendo e como poderíamos melhorar.
Havia eu ingressado no CEFET-MG em agosto. Portanto, era um recém-che-
gado. E, naquela noite, senti receber uma saudação de boas-vindas, não só
àquele encontro, como também à instituição, que ali interagia, de forma de-
mocrática, com a sociedade civil. Não bastasse isso, as deliciosas guloseimas
servidas na ocasião, até hoje atiçam minha memória gustativa...
Resultado: a partir daquele dia quis cooperar de forma mais efetiva com o
projeto. Mergulhei no desafio. De ponta. Cláudia França não se fez de rogada:
foi logo apresentando recursos, pessoas, funções, alicerce teórico e modus
operandi da fábrica de ideias. Não faltavam trabalho nem oportunidade de
contribuir. Quando dei por mim, estava integrado à equipe – maravilhosa,
por sinal – com a mão na massa para outras tantas fermentações.
A partir daí, muitos foram os problemas selecionados e debatidos coleti-
vamente: crimes cibernéticos, conflitos mundiais, cultura maker... Variados,
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