Chicane Motores Vol. 3 (mensal) | Page 48

ANALISE | GP do bahrain ´ O GP do Bahrain não foi tão emotivo como a sua edição anterior, mas teve muitos pontos de interesse e muita acção ao longo da corrida. Assistiram-se a boas ultrapassagens, grandes recuperações, desilusões, surpresas… Excepto no vencedor, que esse continua a querer mostrar cada vez mais a sua força. Mas ficou mais uma vez a prova que o domínio da Mercedes não será tão pacífico como o de 2014. Há uma Scuderia cheia de vontade de complicar as contas aos alemães. Mercedes Tiveram de se aplicar para vencer a corrida. O tempo de ficar a 20 ou 30 seg. de avanço já lá vai e agora a Ferrari, sempre que pode, aproveita para pressionar a Mercedes. A pista era muito abrasiva e exigia muito dos pneus traseiros, uma combinação que não agrada aos “Silver Arrows”. A estratégia teve de ser cuidadosamente planeada e até alterada. Rosberg teve prioridade na primeira paragem pois Vettel poderia fugir se não parassem a tempo. Rosberg voltou! O alemão andava envergonhado e vergado em pista mas resolveu dar um pontapé na crise. Viu-se ultrapassado por Raikkonen na primeira curva mas tomou a situação em mãos e tratou de passar tanto Kimi como Vettel. De cada vez que Vettel ganhou vantagem nas boxes, Rosberg resolveu o assunto em pista e quando ia enfrentar a recuperação de Kimi, ficou sem travões. A sorte não quis nada com ele mas mostrou que está a encontrar forças para retomar a luta pelo título. Já Hamilton nunca foi posto realmente à prova. Liderou quase sempre a corrida e a vantagem de 6 seg foi preciosa para se defender de um Kimi imparável. Também ele teve problemas com os travões no final mas o finlandês estava muito longe para ser ameaça. Os Mercedes quando são puxados ao limite também falham. Ferrari Era uma questão de tempo. Kimi mostrava-se cada vez melhor em corrida mas a sorte não estava com ele. Hoje não teve azares. Talvez a estratégia da Ferrari não fosse a mais indicada mas no entanto, o Iceman que estava a 16 seg. de Rosberg recuperou esse tempo todo e foi ainda atrás de Hamilton. O homem da noite. Este sim é o verdadeiro Kimi. Vettel pelo contrário borrou a pintura. Depois de uma qualificação espantosa, o alemão fartou –se de errar. E errou quando não devia. Sempre que foi pressionado meteu o pé na argola. Rosberg passou por ele com relativa facilidade e nas voltas finais perdeu a luta pelo pódio com uma saída de pista que lhe danificou a asa, obrigando-o a voltar as boxes. Depois não teve argumentos para passar por Bottas. Foi uma noite não para Vettel. A Ferrari mostrou mais uma vez que vai estar sempre por perto da Mercedes para recolher as sobras. E com a chegada da ronda europeia e com as melhorias previstas, que ninguém se admire se a Ferrari der mais um grande passo em frente. Williams Bottas avisou que não estava à espera de ter muito trabalho. E foi o que aconteceu. Os homens da frente estavam muito à frente e atrás de si a concorrência não incomodou muito. No entanto teve de se defender de Vettel no final, o que fez com grande mestria. Voltou a ser o Bottas que conhecíamos… frio e implacável. Uma autêntica parede. Massa teve uma noite 48 | Chicane Motores