Chalé12 Magazine 1 | Page 34

No meio das curiosidades deparei-me com a representação que as pessoas tinham da Nigéria e África era de crianças passando fome, guerras civis, miséria, floresta, animais selvagens, pessoas morando em árvores e o safari. Além de que a África é um país e não um continente.

Me faziam perguntas sobre a extrema miséria em Somália e o Safari na África do Sul sendo que eu tinha pouca ou nenhum conhecimento sobre esses lugares. No começo respondia com espanto, o que passou para irrritação leve, indignação e atualmente aproveito tais oportunidades para descontruir esta representação estereotipada do continente causado por uma rede conjunta de discursos. Depois disso, passei a me cobrar aprender um pouco sobre os outros países africanos como Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde entre outros.

Durante esse processo de desconstrução, reconstrução e negociação passei a me identificar como africana, tornei-me mais sensível a cor da minha pele e perceptível ás questões raciais. Tudo isso despertou o interesse em pesquisar estas áreas. Por isso, desde 2012, participo do Letramento Acadêmico onde alunos estrangeiros apresentam palestras sobre seus países como forma de mostrar estes países sob outra visão que não seja do ponto de vista hegemônica. Alguns eventos em que já participei são, Núcleo de Assessoria Pedagógico (NAP), Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), O Dia da Consciência Negra e organizei, junto com outros alunos, o Dia da África em 2012.

Essa trajeto também me incentivou a fazer meu Trabalho de Conclusão de Curso em 2014, um livro reportagem, sobre o ‘Relato de aluno africanos em cinco Universidades Estaduais de Paraná’. O livro tinha como foco escrever o relato de outros alunos sobre a experiência deles no Brasil. Eu estava tentando entender se as minhas experiências eram peculiares, se eu estava vendo coisas de uma maneira exagerada ou se o problema era eu. Nos relatos a maioria dos estudantes expressaram as mesmas coisas como a questão de discriminação, o preconceito e as perguntas estranhas entre outras. O trabalho me ajudou repensar como lidar e trabalhar estas questões.

Atualmente, compreendo que a visão que as pessoas têm da África é o resultado de uma representação presente num conjunto de rede de discursos como os livros didáticos, a internet e a mídia. Discurso é esse que é sócio historicamente construído num momento de escravização no país, mas que necessita ser reconstruído na sua atualidade.